Política, igreja e milícia

A ascensão dessa corrente vem se consolidando no governo Bolsonaro que, juntamente com seus filhos, possuem notório envolvimento com milicianos do Estado do Rio de Janeiro

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Durante um ano, a Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos fez uma pesquisa batizada de “Controle Territorial Armado no Rio de Janeiro”, com resultado divulgado na segunda-feira através de nota técnica, que alerta sobre a atuação da milícia dentro das Casas Legislativas, Poder Executivo, com braço nas igrejas denominadas evangélicas. 

A pesquisa concluiu que as conexões entre a milícia e a polícia estão estruturadas nas favelas e no subúrbio, assim como nos municípios do Grande Rio, expandindo e “redefinindo os termos da própria metáfora da guerra” – diz a nota.  

A pesquisa debateu com promotores, jornalistas, policiais, ativistas e especialistas em dados sobre o controle territorial de grupos armados no Estado do Rio de Janeiro e a ligação entre criminosos e as Instituições. 

A pesquisa alerta para a aproximação das eleições e da necessidade da garantia do voto livre e a proteção dos candidatos: “Talvez a expansão dos interesses milicianos à instâncias dos poderes legislativos locais, guarde relação, ainda que parcialmente, como o elevado número de mortes violentas envolvendo candidatos a vereadores no último processo eleitoral municipal, em diversos municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro” – completa a nota técnica. 

A sensação de insegurança é a motivação de as milícias conquistarem terreno e a confiança da população. Agindo como prestadores de serviços, controlam o mercado: “Há registros de atuação de milícias em serviços de transporte coletivo, gás, eletricidade, internet, agiotagem, cestas básicas, grilagem, loteamento de terrenos, construção e revenda irregular de habitação, assassinatos contratados, tráfico de drogas e armar, contrabando, roubo de cargas, receptação de mercadorias e revenda de produtos de diversos tipos de proveniências” -  afirma o texto. 

As igrejas atuam como lavanderia de dinheiro, os pastores evangélicos convencem os fiéis da necessidade da presença da milícia nos locais, orientam que naturalizem o comércio e os serviços e que votem em seus candidatos.  

A ascensão dessa corrente vem se consolidando no governo Bolsonaro que, juntamente com seus filhos, possuem notório envolvimento com milicianos do Estado do Rio de Janeiro.  

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247