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Fernando Lavieri

Jornalista, com passagens pela IstoÉ e revista Caros Amigos

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Por invasões de campo na Copa

O mundial de futebol está entrelaçado a Donald Trump, portanto, à crimes e morte

O presidente dos EUA, Donald Trump, com troféu da Copa do Mundo - 22/8/2025 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)
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A partir do décimo primeiro dia do mês de junho dentro do estádio Azteca, na Cidade do México, no México, haverá tudo de bom e de melhor que o futebol pode oferecer: os melhores jogadores: Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Mbappé, Lamine Yamal e outros devem proporcionar aos olhos muitos passes incríveis, dribles desconcertantes e esplêndidos, gols sensacionais, de placa, com certeza. Sem dúvida alguma os jogadores do maior esporte do mundo vão fazer mágica com a bola em seus pés, eles transformarão sonhos em realidade. O futebol, como se sabe, nunca foi apenas um jogo, acredito eu, firmemente, um magnífico jogo. Ele envolve história, muitas histórias, pessoais e gerais, política, economia e inúmeros outros elementos, é exatamente o jogo que faz parte da vida.  


Muito bem. O show de bola dentro de campo está garantido, mas porque essa será uma triste Copa? Por causa do alinhamento político entre Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.  E por esse motivo a competição está maculada para sempre. Para reverenciar Trump, o chefe do futebol mundial presenteou-o com um ridículo Prêmio da Paz e outros bibelôs. Trump sorriu e pronto. Infantino agora terá os seus interesses atendidos no contexto da Copa, dado que os EUA sediarão o Mundial conjuntamente ao México e Canadá. Gianni Infantino deixou de lado os horrores e a infinidade de crimes cometidos pelo presidente dos Estados Unidos e seus parceiros, o massacre em Gaza à frente. A triste figura de Trump enlameia a Copa. Será impossível ligar a tevê e assistir quaisquer um dos mais de cem jogos e não lembrar de Hind Rajab? Ou do sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores? Mais: como encarar, sem cólera, mesmo pelo tubo, Donald Trump na tribuna, cumprimentando e abraçando autoridades esportivas e anônimos? Donald Trump é um digno e autêntico representante da extrema direita estadunidense, eis algo que ele nunca mentiu ou enganou a respeito. Trump é adorado pela Ku Klux Klan, igualmente venerado pelos defensores do retorno dos Estados Confederados à sociedade estadunidense. Ou seja, trata-se aqui de racistas contumazes! Não há presidente dos EUA que não tenha cometido crimes, mas Donald Trump exerce a Presidência e controla o botão vermelho no auge das redes sociais, o que torna as suas ações maléficas mais chamativas. Somente em seu segundo mandato, que ainda não chegou a metade, Donald Trump já assassinou inúmeras pessoas, desde desconhecidos no mar do Caribe, mulheres, crianças, cientistas e líderes militares na Palestina, no Irã e Líbano conjuntamente a Benjamin Netanyahu, o seu irmão na matança indiscriminada. Ele assassinou até cidadãos estadunidenses por meio do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE). Não é aceitável imaginar que Gianni Infantino não soubesse sobre os terríveis, imperdoáveis, inesquecíveis crimes de lesa humanidade cometidos por Trump e sua turma, sendo que até mesmo George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln  no Monte Rushmore sabem. Tampouco é aceitável imaginar que todo o corpo diretivo da Fifa não saiba sobre o impressionante caso Jeffrey Epistin. Impressionante! Mas é preciso dizer que os interesses pessoais e econômicos da Fifa estão à frente de qualquer entendimento sobre o respeito e preservação da vida.



Com certeza a maior disputa entre seleções será vista por milhares de pessoas, o interesse pela Copa ainda é gigante, mas no futebol também há espaço para reivindicações. Para além de jogos justos e  bonitos queremos ver muita gente corajosa nas arquibancadas e, como em qualquer partida, elas devem apresentar imensas bandeiras, mas dessa vez da Palestina, Venezuela, Cuba, República Democrática do Congo e com tais flâmulas (certamente de dimensões menores) invadir o campo em protesto.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.