Por que Marina não volta atrás na questão da autonomia do BC?

Sem a intenção do trocadilho, está aí um erro da candidata que me parece capital. Afinal, quem faz a cabeça da candidata Marina Silva? Por quem e em nome de quem fala a candidata Marina Silva?

A candidata Marina Silva voltou atrás na questão da criminalização da homofobia e da defesa dos direitos LGBT. Pauta esta que antes parecia até ser “programática” para sua campanha, pois registrada no seu programa de governo e apresentada com essa roupagem à sociedade: como um compromisso de campanha e de governo.

Não deveria, mas, deploravelmente, a candidata voltou atrás nessa questão. Bastou uma ou duas reprimendas de um certo pastor Malafaia, via Twitter. Tem ovelha para tudo que é pastor.

A candidata já se contradisse ou voltou atrás em inúmeras outras questões. Seria ocioso, e por demais enfadonho, elencá-las aqui. 

Por que então não volta atrás nessa questão da defesa intransigente da autonomia do Banco Central?

Por quê?

Por que a candidata dá tamanha importância a esse tema tão espinhoso e impopular da independência ou autonomia do Banco Central?

Por que a candidata “queima o seu filme”, por assim dizer, e da sua candidatura, defendendo proposta que é cara aos rentistas em geral e aos banqueiros em particular, mas que é inexplicável, desagradável, indigesta para os trabalhadores e para as donas de casa?

Essa postura da candidata pode, naturalmente, levar o eleitorado a desconfiar que ela assim procede porque defende o interesse dos já citados rentistas em geral e dos banqueiros em particular.

 E, mais ainda, pode parecer que Marina defende o interesse dos rentistas e dos banqueiros porque a herdeira do banco Itaú, Neca Setúbal, é uma das suas principais e destacadas assessoras, e esse banco é um dos principais financiadores de sua campanha, bem como, ao que se suspeita, da própria candidata, que faturou mais de R$1,6 milhão em palestras, cujos contratantes não se pode saber o nome.

Assim Marina Silva passa a impressão, equivocada espera-se, de ser uma candidata a serviço dos banqueiros.

Ou a candidata está de fato a serviço dos banqueiros?!

Se não está, por que a candidata coloca como ponto central de sua campanha, e de um seu futuro governo, uma pauta que é, como já dito, tão escancaradamente cara ao tal “mercado”; que, ao que se lê nos cadernos de economia e nos boletins de consultorias de risco, estaria insatisfeito com o governo de Dilma Rousseff?

E por que os tais “mercados”, que se regozijam com Marina, estariam insatisfeitos com o governo Dilma? 

Seria por causa do apoio que a presidenta deu aos bancos públicos? 

Seria porque o BC no governo Dilma teve a ousadia de baixar, por um breve período, os juros e assim prejudicou os negócios e os lucros imorais dos rentistas e dos tais “mercados”?

Por que – insisto na pergunta, porque me parece inexplicável – a candidata Marina Silva insiste em defender uma pauta tão impopular e despropositada?

Reflitamos mais um pouco.

Por que uma presidente eleita no presidencialismo iria abrir mão de dar o compasso e o ritmo da política monetária e fiscal de seu país?

Por que uma presidente eleita iria abrir mão do seu poder, auferido pelo soberano voto popular, de corrigir possíveis erros ou desvios cometidos pelo presidente do Banco Central?

É o Banco Central que vai mandar na presidente da República? E serão os bancos privados que irão mandar no Banco Central?

Ou seja: serão os bancos privados, e sua sanha especulativa, que ditarão os rumos do país?!

Sem a intenção do trocadilho, está aí um erro da candidata que me parece capital.

Afinal, quem faz a cabeça da candidata Marina Silva?

Por quem e em nome de quem fala a candidata Marina Silva?

Diante de tamanho equívoco e despropósito, arrisco duas interpretações possíveis. 

Ou a candidata não sabe o que está preconizando para o país [nota-se que ao defender tal posição ela parece nitidamente repetir um discurso decorado, sem parecer acreditar de fato naquilo que verbaliza, como se fora uma espécie de marionete manipulada pelos agentes do mercado] ou...

Ou a candidata está possuída pelo espírito do rentismo.

Se possuída pelo rentismo, ou por infame e finório “mercadismo”, a candidata precisa se submeter, em caráter de urgência urgentíssima, a uma sessão de descarrego – ou de hipnose. 

Senão, eu espero, nem os seus mais fanáticos fiéis ou os mais ortodoxos e fundamentalistas religiosos de sua igreja irão se enredar nessa esparrela ou se dobrar a essa ideia deplorável de se cultuar ao deus mercado com tamanha sujeição.

– Sai, rentismo!  Este país não vos pertence! 

Vade retro!!!

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