Por que tanto esforço para incriminar Lula?

Nenhum líder político brasileiro, independente de filiação ideológica, chegará à próxima disputa para presidente com a vantagem inicial de Lula. O campo oposicionista sabe disso e vem lutando arduamente para tirá-lo do páreo

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Nenhum líder político brasileiro, independente de filiação ideológica, chegará à próxima disputa para presidente com a vantagem inicial de Lula. O campo oposicionista sabe disso e vem lutando arduamente para tirá-lo do páreo (Foto: Guilherme Scalzilli)


A resposta simplificada: porque é, desde já, o candidato mais forte na eleição de 2018.

Seus governos são imbatíveis comparativamente. Não há estatística do período 2003-2010 que perca para outra similar no recorte histórico disponível. Isso ocorre tanto para os índices abrangentes da macroeconomia quanto para minúcias setorizadas e regionais, passando pelo acesso a bens de consumo, à cultura, à educação, à cidadania. E, acima de tudo, na redução da desigualdade.

Lula possui enorme carisma pessoal. Além de hábil em aglutinar valores humanos, é excelente orador, com raro talento para mobilizar e seduzir platéias. E acumula um capital de fidelidade que chega a 30% do eleitorado.

O lulismo é, de longe, a maior força isolada no cenário político nacional, exatamente porque ultrapassa a simpatia pelo PT. O voto antipetista se divide, à esquerda e à direita, em afinidades partidárias e pessoais amiúde incompatíveis no jogo de alianças.

Nenhum líder político brasileiro, independente de filiação ideológica, chegará à próxima disputa para presidente com a vantagem inicial de Lula. O campo oposicionista sabe disso e vem lutando arduamente para tirá-lo do páreo.

Não se trata mais de abalar sua imagem pública. O fracasso eleitoreiro do julgamento do "mensalão" mostrou que o prestígio de Lula sobrevive mesmo sob implacável campanha negativa. A própria estratégia golpista refluiu, entre outros motivos, por causa da incerteza quanto aos efeitos negativos sobre o ex-presidente.

A questão, portanto, é impedir a candidatura de Lula. Condená-lo em primeira instância, suspendendo seus direitos políticos. Matar o projeto no estado embrionário, com o torniquete inapelável da legalidade, sob os convenientes auspícios da Ficha Limpa.

Eis o motivo da afoiteza com que procuradores e juízes tratam as "suspeitas" contra Lula e sua família. A rapidez garante que um eventual processo transcorra, ou pelo menos seja iniciado, antes que a Lava Jato se desmoralize de vez.

E assim chegamos a uma resposta mais abrangente para a questão do título: a ofensiva contra Lula ocorre porque o Judiciário brasileiro se transformou num mecanismo capaz de atropelar a democracia para satisfazer interesses político-partidários.

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