Por uma escola sem fascismo

A agenda conservadora na educação não é nova, mas frequentemente ela se pinta de nova. Hoje representada pela Escola sem Partido, ela representa uma nova etapa da educação brasileira pós-golpe, em que os agentes golpistas planejam destituir qualquer espaço democrático nas escolas brasileiras

Embora não seja possível afirmar concretamente que a base da escola brasileira tenha sido influenciada em sua história pelo nazifascismo, o mesmo não se pode afirmar do fascismo. Mesmo com a influência da nova escola por Anísio Teixeira, aluno de John Dewey, mesmo com as reformas que primeiro ajudaram a expandir a educação pública e gratuita na era Vargas, mesmo com a luta de Darcy Ribeiro, mesmo com as noites incansáveis de luta de Paulo Freire, nosso patrono, a educação brasileira nunca perdeu uma interferência desabusada do fascismo, aqui sempre misturada com violência e autoritarismo.

Mesmo com os alertas do meu colega e amigo, o professor e pesquisador em Educação Cristian Lindberg, em seu artigo "Escola sem partido: a nova fase do conservadorismo na educação", publicado originalmente no jornal Pensar a Educação em Pauta, demoramos a perceber, dada a conjuntura dinâmica, que esse projeto ia se tornar um dos maiores embriões do autoritarismo da direita brasileira pós-golpe. Está aí. Mas suas bases nunca estiveram tão distante da educação.

Há alguns anos a filósofa Marilena Chauí falava da devastação pedagógica e física que a ditadura causou na escola pública. Não é para menos. Mas é preciso retornar um pouco antes e perceber que desde a guinada fascista pós-segunda guerra, diversos atores tentam levar para a educação o seu comportamento autoritário. Primeiro tentando ideologizar a educação, seja através do Integralismo e sua intentona fascista ou do autoritarismo pós-1932 na educação paulista, o conservadorismo e o fascismo sempre estiveram presentes na educação. A sua maior guinada se dá, como aponta Marilena Chauí, durante a ditadura militar. O acordo do MEC com a agência estadunidense para o desenvolvimento internacional (sic), de sigla USAID, colocou em nossa educação interventores estrangeiros, alienou nossa produção de material didático, aumentando sua produção somente para o descarte, visando só o lucro e não o desenvolvimento educacional brasileiro, além da censura e perseguição explícita no ambiente escolar de importantes educadores brasileiros, assassinando nosso Anísio Teixeira, exilando Darcy Ribeiro e Paulo Freire.

A agenda conservadora na educação não é nova, mas frequentemente ela se pinta de nova. Hoje representada pela Escola sem Partido, ela representa uma nova etapa da educação brasileira pós-golpe, em que os agentes golpistas planejam destituir qualquer espaço democrático nas escolas brasileiras. A perseguição a professores faz parte do roteiro do golpe, e, não por acaso, seus defensores não são educadores ou especialistas em educação. Eles são economistas, advogados, e sua agenda não é e nunca vai ser educacional.

Se a Escola sem Partido vai vingar, é muito difícil prever e vai depender de uma série de circunstâncias, dentre as quais as que estão dadas no jogo político. Porém, a nossa contraofensiva não é e nunca deve ser utilizando seu léxico autoritário, sem explicar aos nossos pares o que esse projeto criminoso significa. A Escola sem Partido é uma Escola com Fascismo, arraigada de um fascismo renovado, ainda mais conservador e ainda mais técnico. Ao invés de ideologizar a educação com seus quadros, o fascismo atual produz a ideia da neutralização ideológica como sua pauta. Trata-se de um novo e mais absurdo conservadorismo, tentando conquistar os mais novos e desavisados. Contra a Escola sem Partido, lançamos a Escola sem Fascismo, para combater a nova etapa do fascismo na educação brasileira.

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