Por uma frente democrática e popular

"Na reta final, houve uma onda de transferência de votos para Bolsonaro, quase resultando em uma catástrofe. Foi fundamental, para que ocorresse o segundo turno, o desempenho das candidaturas Fernando Haddad e Ciro Gomes", destaca o colunista do 247 Valter Pomar; para ele, o que garantiu a ida de Fernando Haddad, candidato da frente democrática no pleito presidencial para o segundo turno, foi o prestígio de Lula e a união dos partidos, movimentos, setores e lideranças; para ele; "a vitória no segundo turno dependerá de conseguirmos transformar nossa campanha em um movimento, uma cruzada em defesa do povo brasileiro, da classe trabalhadora, dos pobres e excluídos"

Por uma frente democrática e popular
Por uma frente democrática e popular (Foto: Ricardo Stuckert)

Na reta final, houve uma onda de transferência de votos para Bolsonaro, quase resultando em uma catástrofe.

Foi fundamental, para que ocorresse o segundo turno, o desempenho das candidaturas Fernando Haddad e Ciro Gomes.

As candidaturas golpistas (Alckmin, Amoedo, Meirelles, Daciolo, Alvaro, Marina) derreteram.

Se dependesse da votação obtida por eles, não haveria segundo turno.

O que garantiu a liderança da candidatura Haddad foram basicamente dois fatores:

a) o prestígio de Lula nas camadas populares, especialmente no Nordeste;

b) a força dos partidos, movimentos, setores e lideranças que estiveram conosco neste primeiro turno, especialmente a resiliência do Partido dos Trabalhadores.

Para vencer no segundo turno, o primeiro passo é ter claro que podemos ser derrotados. Do lado de lá estão forças muito poderosas, com apoio e "tecnologia" internacional.

O segundo passo é ter claro o tamanho da ameaça que paira sobre a soberania nacional, as liberdades democráticas, os direitos econômicos e sociais da classe trabalhadora e da imensa maioria do povo brasileiro.

O terceiro passo é corrigir nossos erros organizativos e políticos, a começar pela comunicação, especialmente nas redes sociais, área onde a extrema-direita deitou e rolou.

Certamente a coordenação de campanha vai demorar alguns dias até conseguir "arrumar as coisas". Mas de imediato é preciso realizar reuniões plenárias dos núcleos, setoriais, diretórios, sindicatos, entidades, movimentos, mandatos, campanhas etc.

Montar equipes LOCAIS para visitar os bairros populares e as empresas, casa a casa, porta a porta, para conversar com as pessoas. Não esperar os panfletos nacionais. Ir de porta em porta conversando ou distribuindo material local.

Montar equipes LOCAIS para fazer a "guerrrilha nas redes". Não esperar diretrizes nem conteúdos centralizados, fazer por conta própria imediatamente. Quando chegar o material nacional, usar. Mas não ficar parado esperando.

Orientar nosso povo a não ter medo, a não se esconder, a fazer atividades sempre com muita gente. E em cada atividade tem que ter pequenas equipes para cuidar da PROTEÇÃO de nossas atividades e de nossas vidas durante o segundo turno. Os caras já agrediram fisicamente muita gente no primeiro turno e vai ter mais agressão no segundo.

O quarto passo é entender por quais motivos e com quais argumentos parte do eleitorado pobre está sendo iludido pela extrema direita. Nossa prioridade é conquistar o voto popular. Colocar a pauta econômica e social em primeiro, segundo e terceiro lugar. Disputar o voto das mulheres trabalhadoras, das mulheres pobres, das mães, da juventude trabalhadora. E para isso é preciso ter claro: Lula é insubstituível.

O lado de lá manipula 3 discursos:

1)"o mito contra o sistema": temos que mostrar que o mito mente, ele é o pior do sistema político. E mostrar que nós é que podemos mudar o sistema, em favor do povo. A primeira mudança é, exatamente, revogar tudo aquilo que o governo golpista fez contra o povo.

2)"fora PT": temos que lembrar como o país era melhor na época do Lula. Os caras vem falar de corrupção, a gente tem que mostrar que o PT governou para os trabalhadores e para os pobres;

3)"defesa da moral e dos bons costumes": Bolsonaro e sua turma é o que de pior existe, gente violenta, gente má. E nossa resposta deve ser colocar em primeiro lugar a defesa dos direitos econômicos e sociais.

E o quinto passo é envolver os sindicatos e movimentos organizados. É o setor organizado da classe trabalhadora que pode decidir a parada a nosso favor.

Nossa vitória no segundo turno dependerá de conseguirmos transformar nossa campanha em um movimento, uma cruzada em defesa do povo brasileiro, da classe trabalhadora, dos pobres e excluídos.

Portanto, não uma "frente democrática" em abstrato, mas uma frente democrática e popular, que vincule as liberdades democráticas com a melhoria das condições de vida reais e cotidianas da grande maioria do nosso povo.

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