Por que a “Noivinha do Aristides” pode ser o prego que falta no caixão da campanha de Bolsonaro

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(Foto: Reprodução | Polícia Rodoviária Federal)
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Ofensas jogadas contra candidatos em campanhas eleitorais é mais comum do que os famosos “santinhos” dos candidatos. Desde que existiu competição entre reis, candidatos a quaisquer cargo em regimes absolutistas ou democráticos as calúnias e difamações são constantes e utilizadas como arma entre adversários do poder, logo a história que segundo alguns foi contada pelo falecido ministro da ditadura e desafeto de Bolsonaro, sobre uma possível ligação homoafetiva entre ele e seu instrutor de judô na AMAN, o sargento Aristides, poderia ser mais um elemento na biografia do atual ocupante da presidência da república sem nenhuma relevância e que cairia no esquecimento em pouco tempo, entretanto quis a história que o próprio caluniado desse força ao boato e criando uma narrativa que pode constituir um prego no caixão de sua campanha. 

Vamos aos fatos e a possíveis desdobramento dos mesmos, o primeiro fato é que Bolsonaro para pousar de popular na sua campanha eleitoral em andamento, foi até a beira de uma estrada para receber cumprimentos e desaforos dos que passavam, digo cumprimentos e agrego desaforos, pois no início de uma campanha eleitoral se espera que estatisticamente dentre os passantes de uma estrada o candidato receba manifestações de admiradores extremamente leais e ao mesmo tempo outras pessoas que tem uma imagem exatamente ao inverso dos seus admiradores, logo o normal é receber vivas e congratulações como também reprimendas e palavrões. No momento em que um membro do executivo ou legislativo que esteja no exercício do cargo, mas em campanha eleitoral, ele não está como vereador ou presidente da República, é outro ser, o candidato, logo o normal é que seja tratado conforme os humores dos eleitores, pois desses que depende a sua reeleição. 

Qualquer candidato a qualquer cargo tem que se portar como dizia o saudoso Leonel Brizola: “O bom candidato, em comício, dá aparte até para bêbado”, em resumo, quem sai na chuva é para se molhar, logo receber elogios e insultos em espaços públicos faz parte da vida de qualquer político. Mas Bolsonaro além de quebrar essa regra de ouro da política, cometeu um erro mais grave. Ficou ofendido e usou a prerrogativa da presidência para mandar prender uma senhora que o ofendeu com algo que lhe deve ter calado fundo, a pecha de “Noivinha do Aristides”. Geralmente uma insinuação como essa tem o sentido de insinuar que a pessoa teve uma ligação homoafetiva com alguém, no caso um fulano chamado Aristides. Se Aristides fosse um nome genérico como Mário ou outro, não haveria maiores problemas, porém a história vem de fatos mais distantes e com uma narrativa mais concreta. 

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Há décadas no passado, existia um sargento na AMAN chamado Aristides que foi instrutor de judô de Bolsonaro, até aí nada de mal, poderia ser uma mera coincidência, apesar de Aristides ser um nome nada usual, mas passaria despercebido por todos que escutassem. Porém ao lerem a notícia algumas pessoas com melhor memória lembraram de uma frase proferida por um ex-ministro da educação do tempo da ditadura, o Tenente Coronel Jarbas Passarinho que numa entrevista resgatada por alguém, teria supostamente pronunciado a seguinte declaração: “Aristides era o sargento em cuja cama o então tenente (Bolsonaro) ia chorar as mágoas, nas noites quentes de verão dos aquartelados”, ou seja, uma insinuação direta que Bolsonaro mantinha relações homoafetivas com o Sargento Aristides. Já aqui a narrativa ganha corpo, pois Jarbas Passarinho na época que pronunciou essas palavras era uma figura notável da época da ditadura militar que ocupara cargos importantes como governador do Estado do Pará, ministro do trabalho, da educação, da previdência social e da justiça, além de presidente do Senado Federal. Jarbas Passarinho faleceu em 5 de junho de 2016, aos 96 anos e provavelmente essas declarações foram feitas bem antes de Bolsonaro se candidatar à presidência da República lá por 2011, logo foram feitas mais por um desafeto pessoal do que por objetivo político. 

Porém para desgraça de Bolsonaro as coisas não terminam por aí, a desconhecida senhora que mostrou seu descontentamento com ele tem em torno de trinta anos, ou seja, quando Bolsonaro saiu do exército em 1988 ou era um bebê ou nem tinha nascido, logo esse assunto de alcova teria lhe sido transmitido por alguém mais velho ou é uma história conhecida na AMAN, assim sendo se o processo for levado adiante ela terá que utilizar testemunhas para se defender, aumentando o círculo de confusão. 

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Além de tudo isso, o mais notável que depois de Bolsonaro ter perdido a popularidade ele deve ter sofrido um monte de injúrias e somente pela primeira vez que ele usa seus atributos de presidente da república para contestá-las exatamente a partir da "ofensa" de “Noivinha do Aristides”, muito sintomático. 

Resumindo: Para alguém que tem um comportamento homofóbico e seus adeptos mais leais apresentam a mesma masculinidade tóxica, as revelações já ocorridas como outras que começam a despontar (como o caso com Rita Lee, onde ela também questiona a masculinidade de Bolsonaro) podem virar num torvelinho que pode afundar ainda mais a queda de popularidade dele. O futuro dirá. 

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