Possível volta de Dilma já preocupa os golpistas

Ninguém precisa ser muito inteligente para perceber a nova investida da mídia comprometida com o golpe, que perdeu a credibilidade e o respeito dentro e fora do país justamente por sua atuação vergonhosa em apoio ao estupro da Constituição e ao governo dele decorrente

A possibilidade de derrubada do impeachment no Senado, ampliada após os pareceres de técnicos da Câmara Alta e do Ministério Público Federal – e sobretudo depois da tentativa de golpe militar na Turquia – acendeu o sinal de alerta dos jornalões que, no último domingo, temendo a volta da presidenta Dilma Roussef ao Palacio do Planalto, retomaram a defesa do golpe e a ofensiva contra ela e Lula. Além da suspeita de escandalosa manipulação de dados na pesquisa do DataFolha, segundo a qual o presidente interino Michel Temer já estaria conquistando a simpatia popular, a mídia tenta convencer os leitores desavisados sobre uma suposta mudança no humor da economia, onde investidores já se mostrariam otimistas quanto ao governo interino. A manchete do Estadão diz que "Humor no Brasil melhora e investidor volta a apostar no país", enquanto a Folha completa afirmando que "cresce otimismo com a economia", numa visível ação coordenada destinada a influenciar sobretudo os senadores que julgarão a Presidenta.

Ninguém precisa ser muito inteligente para perceber a nova investida da mídia comprometida com o golpe, que perdeu a credibilidade e o respeito dentro e fora do país justamente por sua atuação vergonhosa em apoio ao estupro da Constituição e ao governo dele decorrente. Ao mesmo tempo, constata-se a retomada da perseguição a Lula, com a publicação de matérias que visam preparar o terreno para que as ações da Operação Lava-Jato contra o ex-presidente operário sejam encaradas com alguma naturalidade. Na verdade, como já foi dito antes nesta coluna, todo esse processo que culminou com o afastamento da presidenta Dilma Roussef tem como principal objetivo o banimento de Lula da vida pública, pois com ele livre sempre há o risco de voltar à Presidência da República através do voto popular. E além das pesquisas, que sempre o apontam como favorito dos eleitores para voltar ao Planalto, o ex-torneiro mecânico reacendeu as esperanças do povo com suas viagens pelo Nordeste, onde tem sido recebido com carinho. E os seus adversários não estão gostando nada disso.

Com a ofensiva do último final de semana os jornalões não esconderam a sua preocupação em assegurar a manutenção do governo interino, pois Temer, além de estar cercado por ministros investigados por corrupção, pode ser atingido por um torpedo disparado pelo vingativo deputado Eduardo Cunha que, depois de praticamente definida a cassação do seu mandato em agosto próximo, vem ameaçando entregar todo mundo que tem contas a ajustar com a Justiça, sobretudo se chegar a ser preso pelo juiz Sergio Moro. Segundo disse, ao defender-se na Comissão de Constituição e Justiça, 20% da Câmara (117 deputados) tem processos na Justiça e todos deverão perder os seus mandatos se forem adotados os mesmos critérios usados para a sua cassação. "Nenhum desses sobreviverá e todos deverão ser cassados", ele vaticinou. E ele não parece disposto a cair sozinho, principalmente se sua esposa e filha sofrerem alguma pena na Lava-Jato.

Por outro lado, a resistência popular que frustrou a tentativa de golpe na Turquia mexeu com os brios dos brasileiros que, aparentemente, decidiram sacudir o desanimo e partir para ações mais efetivas contra o golpe que colocou o vice-presidente Michel Temer no Palácio do Planalto. E já se ouve argumento do tipo "se os turcos enfrentaram tanques, helicópteros e metralhadoras para defender o seu governo, eleito democraticamente, porque não podemos fazer o mesmo?" Nas redes sociais já se observa uma grande mobilização nesse sentido, com previsão de gigantescas manifestações inclusive durante as Olimpíadas. Ninguém tem dúvidas de que se o povo não sair às ruas para impedir que o golpe seja consumado em agosto próximo, quando o Senado julgará o mérito do impeachment, Temer pode acabar sendo mantido na Presidência da República e destruindo todas as conquistas sociais obtidas nos últimos anos. Além disso, pode finalmente realizar o sonho tucano de entregar a Petrobrás e o pré-sal ao capital estrangeiro. É preciso lembrar, como disse o presidente turco Erdogan: "Aqui tem um governo eleito".

O fato é que o golpe enfraqueceu no Brasil, apesar do esforço da grande imprensa em apoiar o governo interino e usar o seu poder de comunicação para tentar convencer os incautos sobre supostas transformações positivas no país. A cada dia que passa crescem as probabilidades de derrubada do impeachment, com os senadores independentes revelando-se propensos a votar contra o afastamento da Presidenta. Enquanto isso, na Câmara já é visível o estrago na base governista causado pela eleição do deputado Rodrigo Maia para presidi-la. Ao mesmo tempo, também está sendo esperada a intensificação das manifestações contrárias ao golpe em todo o país, o que certamente também deverá contribuir para mudar o voto de vários senadores. O grande fator, no entanto, que deverá pesar na decisão do Senado será a eleição municipal, pois as suas bases nos diferentes Estados deverão pressioná-los a votar contra o golpe. As eleições municipais de outubro, portanto, deverão ter uma grande influência no julgamento do impeachment, pois os políticos sabem que sua posição em relação ao afastamento de Dilma pode lhes tirar muitos votos em suas bases eleitorais.

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