Posso falar com você um minuto, Juliana Paes?

(Foto: Reprodução)
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Para começo de conversa, não está aqui em questão o seu talento como atriz. Até porque, ele é indiscutível. O que aumenta a responsabilidade social das suas falas, em função do alcance da sua voz e da representatividade que a sua figura artística exerce sobre milhares de pessoas. Vendo e ouvindo o seu posicionamento, achei importante fazer algumas observações a respeito dos seus argumentos como cidadã. Só não consigo fazer uma análise isenta de ideologia política. Algo que você criticou no vídeo que publicou nas redes sociais.

Você disse não apoiar os ideais arrogantes da extrema direita, nem os delírios comunistas da extrema esquerda. Sutil e inconscientemente, você estabeleceu um juízo de valor entre os dois polos que critica, e, segundo a sua jurisprudência pessoal e o seu lapso verbal, relativizou os erros de um lado, e condenou o que nunca existiu do outro. O que você chama de “ideais arrogantes da extrema direita”, eu, e mais alguns outros milhões de brasileiros e brasileiras, já constatamos se tratar de ideais genocidas. O que é bem diferente de arrogância, que, por si só, já seria algo desprezível.

Sobre os “delírios comunistas da extrema esquerda”, confesso que precisaria saber melhor do que se trata, para depois emitir uma opinião. Que eu e a torcida do Flamengo saibamos, o comunismo nunca esteve no poder em nosso país. Talvez, o delírio tenha sido de sua parte. Foi assim que o atual governo se elegeu. Fazendo o povo delirar e comprar a ideia de uma luta contra um inimigo imaginário. Por coincidência, o mesmo comunismo ao qual você se referiu. Outro ponto que me chamou a atenção no seu pronunciamento, foi quando você diz que quer “respeito e acolhimento à todas as causas minoritárias”, mas quer que isso aconteça independentemente de ideologia política.

Ju, se me permite assim chama-la, senta aqui um instante. Deixa eu te contar um segredo. Papai Noel só existe, graças a um conceito capitalista. Desde a incubadora, nossas crianças já começam a ser aliciadas pelas mentiras de uma ideologia. Entendo que, talvez, você não queira uma para viver, mas isto não significa que elas deixaram de existir. Você é a “dona do pedaço” apenas na novela. E realidade é outra longe das câmeras. Nesse cenário econômico e social estruturado para que alguns poucos obtenham lucros gigantescos, explorando a mão de obra da grande maioria, respeitar e acolher causas minoritárias é pura resistência ideológica. E nós sabemos muito bem, qual a ideologia política que se opõe a promover inclus&at ilde;o social e a acolher os menos favorecidos. E não é delírio da minha parte.

Falando em ideologia, você também disse que quer um governo liberal que respeite as liberdades individuais, uma máquina pública enxuta, além de saúde e educação públicas de qualidade. Isso é ideologia social pura, Ju. Um pouco confusa, confesso. Porém, tendendo para um dos lados que você jura não estar. Isto, porque eu não consigo enxergar a possibilidade de oferecer ao povo saúde e educação de qualidade, por exemplo, sendo liberal e enxugando a máquina pública. Isso é um delírio! Os liberais condenam o que costumam chamar de “ingerência estatal”, ou seja, são adoradores do estado mínimo. Quem ofereceria ao povo essa saúde e essa educação de qualidade? A iniciativa privada? Filantropica mente?

Eu não sei se você estava se referindo a algum país cenográfico, mas aqui no Brasil, quando se fala em enxugar gastos públicos, os primeiros “cômodos” onde a ideologia liberal pensa em passar o rodo, é justamente nas áreas da saúde e da educação. Um dos pilares da liberalidade econômica por aqui, é a produção de pobreza e escassez. E como você também disse que quer um estado democrático, vale lembrar que não existe democracia sem justiça social. E não falo de igualdade. Falo de equidade. Coisas que o liberalismo, sob todos os aspectos, está muito longe de promover.

Você disse querer muitas outras coisas no vídeo, mas não me pareceu saber bem como consegui-las. Por isso, sugiro que você analise melhor os assuntos quando for emitir uma opinião de forma pública. Chega junto da rapaziada que já está engajada em transformar e alterar a atual estrutura e pega umas dicas de conteúdo que possibilite ter um pouco mais de conhecimento. Troca uma ideia, se abra a um diálogo mais amplo. Sem ofensas, sem cancelamentos, sem animosidades. Como eu já havia escrito, a sua voz tem um grande alcance e uma capacidade de influência bastante considerável.

Ouvir utopias é tão gostoso quanto saborear através da tela, os deliciosos bolos que você fazia na novela. Eu adoro! Fico imaginando como tudo seria maravilhoso se não fosse a realidade. Mas, no mínimo, elas precisam fazer algum sentido.  Pois, nem sempre, é possível fazer política com uma receita de bolo.  Carinhosamente.

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