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Daniel Samam

Carioca, músico, educador, gestor cultural e militante do Partido dos Trabalhadores (PT)

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Pragmatismo, povo e a batalha digital rumo ao pleito de 2026

A vitória em 2026 dependerá da capacidade do campo progressista de unir pragmatismo, reconectar-se às maiorias e dominar a disputa digital

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Ao observar o debate público sobre a sucessão presidencial de 2026, percebo que a reeleição do presidente Lula, um projeto que considero vital para a continuidade do processo democrático brasileiro, se assenta sobre um tripé de desafios complexos e inadiáveis. As reflexões que emergem não são meros ruídos, mas o eco de uma encruzilhada estratégica para o Partido dos Trabalhadores e para a esquerda como um todo. Em minha análise, a vitória em 2026 dependerá da nossa capacidade de articular três frentes: o pragmatismo tático, a reconexão com as maiorias populares e a indispensável modernização da nossa máquina de comunicação política.

O primeiro pilar, o do pragmatismo, é a advertência de José Dirceu a respeito da importância da permanência de Geraldo Alckmin na chapa presidencial. A meu ver, a manutenção dessa aliança transcende a mera tática eleitoral; ela representa a consolidação de uma frente ampla que foi essencial para derrotar a extrema-direita em 2022 e que se mostra igualmente crucial para garantir a governabilidade e a estabilidade necessárias a um futuro segundo mandato. Ignorar a sabedoria contida na análise de Dirceu, um dos quadros mais experientes do nosso partido, seria um erro estratégico, um flerte perigoso com o isolamento político que tanto favorece nossos adversários.

Contudo, a governabilidade não se sustenta apenas em acordos de cúpula. E aqui reside o segundo e talvez mais sensível desafio: a reconexão com o povo. A esquerda tornou-se surda aos murmúrios das maiorias amorfas e silenciosas ao focar excessivamente nas pautas de minorias organizadas. Esta é uma crítica dura, é verdade, mas que, na minha opinião, toca em um ponto nevrálgico. Não se trata de abandonar a defesa intransigente dos direitos de todos, mas de reencontrar uma linguagem e uma agenda que dialoguem com as preocupações centrais da vasta população. Trata-se de uma desconexão que precisamos sanar com urgência, sob pena de vermos a base popular que sempre foi nosso alicerce ser seduzida por discursos populistas de direita.

Finalmente, o terceiro pilar desta análise é a batalha da comunicação na era digital. Quem não domina a tecnologia de seu tempo, hoje personificada pela Inteligência Artificial e pelas redes sociais, está fadado a perder a disputa pelo imaginário coletivo. Esta não é mais uma questão de opção, mas de sobrevivência política. A direita e a extrema-direita, no Brasil e no mundo, demonstraram uma capacidade assustadora de mobilização e disseminação de suas ideias por meio desses canais. Para o PT e para a campanha de Lula, não basta mais ter a melhor proposta; é preciso ter a melhor e mais eficiente forma de fazê-la chegar a cada cidadão, de forma segmentada, rápida e em escala. Há um eleitorado independente e menos ideológico que busca uma alternativa, e, para conquistá-lo, é preciso disputar e trabalhar — e essa disputa hoje é, em grande medida, digital.

Portanto, a caminhada para a reeleição do presidente Lula exige de nós, militantes e dirigentes do Partido dos Trabalhadores, uma profunda reflexão e uma ação coordenada. Precisamos de um pragmatismo que nos permita governar e ampliar nossas alianças, de uma sensibilidade que nos reconecte com o coração e a mente do povo brasileiro em sua mais ampla diversidade e de uma ousadia que nos coloque na vanguarda da comunicação política. O equilíbrio entre esses três eixos definirá não apenas o resultado de 2026, mas o próprio futuro da esquerda no Brasil.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.