Precisamos tornar o capitalismo obsoleto – Sabrina Fernandes

Esse título é o leitmotiv que perpassa todo o livro, recém-lançado, da socióloga marxista Sabrina Fernandes: “Se quiser mudar o mundo. Um guia político para quem se importa”

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Esse título é o leitmotiv que perpassa todo o livro, recém-lançado, da socióloga marxista Sabrina Fernandes: “Se quiser mudar o mundo. Um guia político para quem se importa”. Essa formulação expressa a necessidade e a urgência em mudar esse mundo em que a exploração da natureza/humana é o imperativo em nome da acumulação infinita. A pandemia veio exemplificar tal constatação: os ricos ficaram cada vez mais ricos e os pobres trabalhadores/as ficaram ainda com menos recursos para sobreviver.

Toda e qualquer pessoa que sonhe e deseje um mundo onde a miséria e a barbárie não existam, regozija-se ao ler logo no princípio da obra: "Este livro é radical [...] e tem lado". Vivemos o século da verdadeira doutrinação da “isenção, da imparcialidade, da impessoalidade”, portanto, para além de ser honesta com o/a próprio/a leitor/a é também pedagógica, no sentido de sinalizar sobre quem diz “não ter lado”, são os defensores da ordem vigente, ou seja, desse sistema destrutivo o qual denominamos de capitalismo.

Sabrina Fernandes também procura indicar de princípio que o seu livro é um texto de introdução a teoria e sociologia política, um “farol que ilumina trajetos”, longe de qualquer caráter “manualesco”. As suas preocupações didáticas fazem com que ela esteja num constante diálogo com o/a leitor/a, a reforçar a importância de relacionarmos as formulações ali apresentadas e exemplos com a nossa realidade mais próxima e imediata. Como uma forma de promover a autonomia intelectual e política do/a próprio/a leitor/a. 

Um texto que procura introduzir-nos no arsenal teórico marxista, com objetivo de nos ajudar a polir as nossas lentes de interpretação da realidade, a fim de vermos o “mundo como ele é”, para além da aparência ou o que a ideologia quer que vejamos. Com as ferramentas do materialismo histórico e dialético ela procurar analisar de forma engendrada as dimensões da totalidade social: classe sociais, etnia/raça, género, orientação sexual, crise climática e todas as lutas contra quaisquer tipos de opressão. Bem como temáticas/problemas pouco debatidos no espaço público pela esquerda (tanto a moderada/liberal como a radical) sobre: segurança pública, encarceramento, guerra às drogas, capacitismos, veganismo popular entre outros, numa perspetiva essencialmente anticapitalista. 

Essa coluna não tem a pretensão de resenhar o livro, mas sim, de fazer um convite a você leitor/a que acredita que o capitalismo é “humanizável” ou está num processo de conscientização da necessidade de construirmos um mundo alternativo em que as desigualdades económicas e sociais desaparecem, para que floresça as nossas reais diferenças. 

"Se quiser mudar o mundo, é preciso tornar o capitalismo obsoleto. É menos sobre substituí-lo e mais sobre ultrapassá-lo [...].

É preciso normalizar a radicalidade, não o que já é normal.”

Neste domingo, 1º de novembro, Sabrina fala ao programa Mais-Esquerda na TV 247. Inscreva-se, seja membro e confira:

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