Empresários de Juiz de Fora informam que vão romper isolamento e exigem troca por “tratamento precoce”

"Em carta aberta, em que falam em 'paz e liberdade', mas 'informam' que vão descumprir o lockdown decretado nesta semana – devido ao comprometimento da rede hospitalar com a alta de casos de Covid-19 -, eles mencionam também a troca do isolamento por 'tratamento precoce'", escreve a jornalista Denise Assis

Margarida Salomão
Margarida Salomão (Foto: Divulgação)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia

A prefeita de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, Margarida Salomão (PT), está sob ataque feroz e ameaça de morte desferida por empresários e comerciantes locais. Em carta aberta, em que falam em “paz e liberdade”, mas “informam” que vão descumprir o lockdown decretado nesta semana – devido ao comprometimento da rede hospitalar com a alta de casos de Covid-19 -, eles mencionam também a troca do isolamento por “tratamento precoce”. Ninguém duvida, efeito direto dos discursos de Bolsonaro e do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. “Pedimos que a Sra. Prefeita, Vereadores e Comitê de Contingência que esqueçam a política e adotem o tratamento precoce” – desta vez -, “pedem”.

Bolsonaro foi eleito em Juiz de Fora com 57% dos votos. Um ponto fora da curva, para uma cidade onde a resistência sempre foi alta e o ex-presidente Lula obteve vitória em todas as vezes que se candidatou. Três fatores podem ter contribuído para a guinada do município  à direita:  o discurso de ódio que o candidato espalhou pelo país, (principalmente o conceito equivocado de “liberdade individual” que cultivou entre os seus apoiadores), disseminando a predominância do egoísmo, negação dos verdadeiros princípios democráticos; e a discutível “facada” que teve a cidade como palco, elevando Bolsonaro à condição de vítima e, por fim, o antipetismo típico do trabalho intensivo da mídia tradicional, laboriosamente construído durante a campanha à presidência de 2018.

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Na carta, assinada por “empresários de Juiz de Fora”, estão contidos todos os ingredientes Bolsonaristas: a postura contra o isolamento, a defesa do “tratamento precoce”, já condenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a tal alegação do “direito individual” e a defesa da economia em detrimento da vida.

Tal radicalismo levou a que um grupo de exaltados cercassem na tarde de ontem o carro da vereadora Lais Perrut (PT), e aos gritos e pontapés, a ameaçaram. Isto, depois de enviarem mensagens com ameaças de morte para a própria prefeita, Margarida. Em vão a vereadora buscou o diálogo, o que só exasperou ainda mais os “manifestantes”. O clima na cidade permanece tenso, com os guardas municipais tentando fazer o trabalho de vistoria dos ônibus, para que não trafeguem com passageiros em pé, enquanto “protestos” contra o isolamento, todas as medidas de segurança sanitária e o lockdown, pipocam por vários pontos.

Leiam na íntegra a carta dos empresários:

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CARTA ABERTA DOS EMPRESÁRIOS DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA.

Ao Sr. governador Romeu Zema e a prefeita Municipal Margarida Salomão , Vereadores, Comitê de Contingência ao Coronavírus e ao povo juizforano.

Informarmos que a partir do dia 17 de março de 2021, não aceitaremos e muito menos seguiremos qualquer decreto que impeça qualquer pessoa no Município de juiz de fora de exercer seu Direito Constitucional da Livre Iniciativa (Art. 1o, IV, CF e Art. 170, CF).

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Qualquer novo decreto que impeça o trabalho irá comprometer outro Direito Constitucional, o da Dignidade da Pessoa Humana (Art. 1o, III, CF) seja para Empresários, Colaboradores, Funcionários Públicos, Aposentados e outros, pois, além de inviabilizar a continuidade de atividades, demissão em massa, quem tem seus proventos sofrerá com enorme redução em virtude da inflação no preço dos produtos.

Pedimos que a Sra. Prefeita, Vereadores e Comitê de Contingência que esqueçam a política e adotem o tratamento precoce, transparência da vacinação e verbas, façam investimentos na área da saúde, aumento de leitos, insumos, estoque de medicamentos, EPIs, dentre outros que garantam atendimento médico a todos, bem como a fiscalização contínua de festas clandestinas, churrascos e aglomerações.

Reiteramos que Distanciamento Social não é sinônimo de Proibição do Trabalho e Fechamento de Atividades, tendo em vista que 90% do comércio e serviços do Município não possuem aglomerações, devido à crise financeira. Dentro das lojas do centro, shoppings ou bairros, são raras as que possuem vários compradores simultâneos e as que possuem, devem controlar os acessos.

Por fim, reiteramos a Sra. Prefeita que não iremos seguir qualquer decreto que impeça o trabalho a partir do dia 17 do mês de março de 2021 e pede que não sejam editados decretos neste sentido, pois a abertura não será uma opção do Sra. Prefeita, mas do povo juizforano contra os decretos e a fiscalização, ante a situação, iremos praticar a legítima defesa (Art. 25 do Código Penal), pois estaremos defendendo nossas famílias, nossos amigos, nossos colaboradores, todo cidadão juizforano e nosso patrimônio.

Pedimos diálogo, honestidade, bom senso e que afastem-se (sic) do espectro político, permitindo o povo trabalhar, para que evitemos enfrentamentos desnecessários que possam causar danos, quaisquer que sejam entre quem precisa trabalhar e agente da administração pública, seja na legislação, ou fiscalização.

Queremos a paz, saúde e acima de tudo, que todos sejam livres. Atenciosamente, Empresários de Juiz De Fora.

Divulga nos seus contatos, vamos fazer rodar o Brasil, pode ser o começo de um grande levante, temos que ter a dignidade de levar nosso sustento para nossa família e isso só se faz com trabalho!

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