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Marco Mondaini

Historiador e Professor da Universidade Federal de Pernambuco. Coordena e apresenta o programa Trilhas da Democracia, exibido aos domingos na TV 247.

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Prefeito João Campos, deixe as mulheres cuidarem de si!

Prefeito João Campos, ao invés de interromper judicialmente essa belíssima ação de engajamento, vá aprender com mulheres guerreiras e deixe-as cuidarem de si!

Prefeito João Campos, deixe as mulheres cuidarem de si! (Foto: Reprodução Movimento Olga Benário)

No dia 8 de março do corrente ano, um conjunto de mulheres de várias faixas etárias do Coletivo Olga Benário ocupou uma casarão abandonado pertencente à Prefeitura da Cidade do Recife, situado na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, n.720, no bairro dos Aflitos – uma das áreas mais valorizadas da capital pernambucana – criando por iniciativa própria um Centro de Referência voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica – o Soledad Barrett.

A data da ocupação (Dia Internacional das Mulheres), o nome do Coletivo de Mulheres (a mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes entregue aos nazistas por Getúlio Vargas) e o título do Centro de Referência (a comunista paraguaia entregue à equipe do delegado Fleury pelo seu companheiro à época – o agente duplo Cabo Anselmo) são demonstrativos da disposição de luta dessas mulheres que começaram a agir em defesa das suas “irmãs” violentadas no seio doméstico, num estado que ocupa a 3ª posição no ranking de mulheres assassinadas no país.

Funcionando com o trabalho voluntário de profissionais especializadas (psicólogas, advogadas, assistentes sociais e fisioterapeutas) e com o engajamento de estudantes e dona de casa, em esquema de revezamento 24 horas por dia, o Centro Soledad Barrett dá ao casarão abandonado do nobre bairro dos Aflitos a importantíssima função social de efetivar uma ação, no campo das políticas sociais, direcionada às camadas mais vulneráveis e fragilizadas da população do Recife – as mulheres pobres violentadas.

Pois bem, essa valiosíssima iniciativa de ação social cidadã (não assistencialista, pois que politizada, à medida em que, concomitantemente, representa um ato de chamamento à Prefeitura do Recife para que cumpra suas responsabilidades no campo das políticas públicas voltadas ao combate à violência doméstica contra as mulheres pobres), está sob risco iminente de ser interrompida bruscamente devido à decisão judicial de desapropriação do espaço no dia 20 de junho, a poucos dias de uma das festas mais importantes para a população de toda a região Nordeste – o São João.

Prefeito João Campos, ao invés de interromper judicialmente essa belíssima ação de engajamento voluntário, vá conversar (e aprender) com essas mulheres guerreiras e deixe-as cuidarem de si!

Em tempo: todo apoio público (não coercitivo) será muito bem vindo...

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.