Presidente fake

Bolsonaro servirá aos interesses do grande capital financeiro e especulativo vendendo nossas estatais e precarizando os serviços públicos até privatizá-los. Tornará nossa mão de obra cada vez mais barata, sem direitos trabalhistas e angustiada pelo desemprego

Presidente fake
Presidente fake (Foto: Reprodução vídeo)

Bolsonaro fará um mandato fake, com popularidade fake, com outro "milagre econômico" fake. Ele é fake, uma fraude que ganhou as eleições com mentiras, e será um presidente fake, sem conteúdo, sem conhecimento, sem instrução, vazio de lógica, obtuso.

Ele é apenas uma farsa ignorante que nega a boa educação e a ciência por não entender nada, por não saber debater ideias com argumentos pragmáticos. Ele só tem preconceitos e falsa coragem.

Essa inferência, feita a partir dos discursos e entrevistas de Bolsonaro, (aliás, ele mesmo admitiu sua capacidade limitada quando disse: "Tenho certeza que não sou o mais capacitado, mas Deus capacita os escolhidos". (BRASIL247, 2018)) é corroborada pela avaliação que oficiais militares superiores fizeram do então tenente Jair Bolsonaro, de 28 anos de idade.

"Documento secreto produzido pela inteligência do Exército na década de 1980 mostra que oficiais superiores do hoje" presidente "Jair Bolsonaro (PSC) o avaliaram como dono de uma 'excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente'.

(...)

Segundo o coronel Pellegrino, Bolsonaro 'tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos'." (VALENTE, 2017).

Mandato e popularidade fake

Bolsonaro servirá aos interesses do grande capital financeiro e especulativo vendendo nossas estatais e precarizando os serviços públicos até privatizá-los. Tornará nossa mão de obra cada vez mais barata, sem direitos trabalhistas e angustiada pelo desemprego.

Apesar disso, será, durante pelo menos o primeiro ano do seu mandato, bem avaliado. Primeiro porque já deixou bem claro, durante entrevista do dia 29 ao Jornal Nacional, que a verba publicitária do Governo Federal será apenas para a imprensa que não o questionar. Segundo, porque, como bem salientou Marcos Coimbra, presidente do Instituto de pesquisa Vox Populi, os "mecanismos de desinformação e de construção de falsos consensos" permanecerão para, desta vez, fraudar os resultados negativos do futuro governo. Veremos uma releitura do "milagre econômico" de Médici.

O sociólogo continua sua análise feita no vídeo: Giro das 11h: Marcos Coimbra analisa resultado eleitoral, veiculada no canal TV 247 no YouTube e explica que: "A permanência dessas formas de manipulação de opinião (pública) podem se reconstituir para que tenhamos um governo extraordinariamente bem avaliado e tudo o que ele fizer terá o aval do universo da opinião pública quando ele for fazer coisas que nós sabemos que a população não concorda. Podem-se criar estes falsos consensos que contrariam o sentimento mais profundo das pessoas e que apenas ficam fabricando opiniões em função de estimular medos, inseguranças...". (TV247, 2018).

Como exemplo de medo irracional e fabricado virtualmente Coimbra cita o anticomunismo e afirma: "Se você inventa um falso problema, mas as pessoas começam a acreditar que ele existe, ele passa a existir e aí você pode justificar, por exemplo, uma medida autoritária contra um movimento social com base nesse medo fabricado do anticomunismo.". (TV247, 2018).

Bolsonaro já afirmou taxativamente que pretende criminalizar, como grupos terroristas, o Movimento dos Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

A farsa do milagre econômico de Médici

O tal "milagre econômico" de Médici só existiu graças a uma forte repressão militar que tolhia direitos do trabalhador em benefício do patronato com o objetivo de inflar o crescimento econômico e a empregabilidade e assim perpetuar o regime militar no poder.

O governo de Emílio Garrastazu Médici (1969 - 1974) ficou conhecido como "anos de chumbo" devido ao agravamento da repressão militar após a publicação do AI-5 (Ato Institucional Número 5) em 1968 e por ter concentrado mais da metade dos assassinatos cometidos durante os 21 anos do golpe militar.

De acordo com matéria publicada no portal UOL, a maioria dessas "mortes verificadas e atestadas pela Comissão da Verdade ocorreu após sessões de tortura, quando os presos políticos eram submetidos a métodos de coerção extremamente violentos.". (ANDRADE, 2014).

Reivindicar direitos, quaisquer que fossem, em plena ditadura militar, pós AI-5, era extremamente perigoso. Os poucos sindicatos existentes sofriam intervenção estatal. Muitos dos dirigentes sindicais (os que não eram "pelegos") foram presos e torturados.

O "milagre econômico", ocorrido durante o governo Médici, foi na verdade uma fraude mantida com base no arrocho salarial. De acordo com matéria publicada no site do El País, a parte deixada de lado no "milagre econômico", ou seja,

"O que não se explica (...) é o fato de o crescimento ter sido muito bom para empresários, e ruim para os trabalhadores. Para que o plano de crescimento funcionasse, os militares resolveram conter os salários, mudando a fórmula que previa o reajuste da remuneração pela inflação, o que levou a perdas reais para os trabalhadores. A adoção de uma medida tão impopular só foi possível através do aparato repressivo do regime sobre os sindicatos, que diminui o poder dos movimentos e de negociação dos operários. Os militares também interferiram em diversos sindicatos, muitas vezes substituindo seus dirigentes. 'Foi um crescimento às custas dos trabalhadores', explica Vinicius Müller, professor de história econômica do Insper. O arrocho salarial acabou aliviando os custos dos empresários e permitiu reduzir a inflação." (MENDONÇA & SANZ, 2017).

A nova classe média, surgida graças às políticas públicas do PT, está com os dias contados. Os militares golpistas de hoje repetirão o abismo social aberto pelos militares golpistas de 64.

"Como a distribuição dos resultados do crescimento econômico foi bastante desigual, a concentração de renda também aumentou muito no período, especialmente entre a população que possuía um grau maior de instrução. Isso fez com que a desigualdade social conhecesse níveis nunca vistos antes.". (MENDONÇA & SANZ, 2017).

O milagre não foi econômico, foi político

Lula se tornou a maior liderança política do Brasil, inspirando multidões, justamente durantes as famosas greves do ABC desencadeadas pelo arrocho salarial do regime militar.

Durante o regime de Bolsonaro veremos uma nova liderança política de esquerda surgir. Provavelmente já surgiu. E com certeza não é Ciro Gomes.

Referências:

ANDRADE, Hanrrikson de Mais da metade das 180 mortes da ditadura militar foram entre 1969 e 1974. Disponível em:. Acesso em: 13 out. 2018.

BRASIL247. "TENHO CERTEZA QUE NÃO SOU O MAIS CAPACITADO", DIZ BOLSONARO EM CULTO. Disponível em:. Acesso em: 31 out. 2018.

MENDONÇA, Heloísa & SANZ, Beatríz. O lado obscuro do 'milagre econômico' da ditadura: o boom da desigualdade. Disponível em:. Acesso em: 13 out. 2018.

TV247. Giro das 11h: Marcos Coimbra analisa resultado eleitoral. 2018 (1h00m25s). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=Wx_xcyRiJqw/>. Acesso em: 31 out. 2018.

VALENTE, Rubens. Bolsonaro era agressivo e tinha 'excessiva ambição', diz ficha militar. Disponível em: < https://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1884332-bolsonaro-era-agressivo-e-tinha-excessiva-ambicao-diz-ficha-militar.shtml/>. Acesso em: 31 out. 2018.

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