'Prestenção' no pacote, Bolsonaro

E o vexaminoso pito do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos? "A família Bolsonaro precisa ficar fora das eleições dos Estados Unidos", disse o senador democrata Eliot Engel, pelo Twitter oficial da instituição que ele preside

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Triste destino o deste Brasil atrelado a Bolsonaro. É humilhação atrás de humilhação, e o presidente continua a falar fino com o governo americano – no qual se espelha, para o qual se ajoelha e do qual só recebe cacetadas. Como o violento aviso dado pelo embaixador dos Estados Unidos Todd Chapman sobre “as consequências” econômicas negativas que recairão sobre o país caso o presidente mantenha a empresa de tecnologia Huawei no leilão do 5G. Com que direito? Essa ofensiva contra o avanço mundial da China é dos EUA, não do Brasil. Até parece que nações envolvidas até o pescoço em denúncias sobre o uso de fake news estão muito preocupadas em proteger a propriedade intelectual, argumento usado por Chapman para especular sobre espionagem chinesa.

E o vexaminoso pito do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos? "A família Bolsonaro precisa ficar fora das eleições dos Estados Unidos", disse o senador democrata Eliot Engel, pelo Twitter oficial da instituição que ele preside. Foi um Fora Bolsonaro sem retoque depois que o deputado Eduardo, o Zero Três, postou apoio à reeleição de Donald Trump, na mesma mídia. Bajulou e levou um tapa de volta.  É aconselhável que a alcova Bolsonaro tenha vergonha na cara e pare de nos submeter ao flagelo público por um governo infausto e rumo à derrota. Há sinais novos, como o vento socialista a soprar no cangote de Trump - que cai em todas as pesquisas importantes para o pleito de novembro enquanto o democrata Joe Biden sobe.

Nomes estreantes de esquerda tomam o assento de congressistas profissionais. Está a caminho da Assembleia de Nova York o progressista democrata Jamaal Bowman, que se define como “um homem negro criado por uma mãe solteira”, de 44 anos. Ele derrubou o poderoso Eliot Engel (o mesmo que mandou os Bolsonaro caírem fora), de 73 anos e 16 mandatos. Em seu comunicado de vitória, Bowman disse aos novaiorquinos: “Aquele garoto de 11 anos que foi espancado pela polícia está prestes a ser seu próximo representante.” Sim, ele poderia ter sido um George Floyd, o homem preto que morreu sufocado pelo joelho de um policial branco, em maio, e virou símbolo de violentos confrontos e protestos mundo afora.   Não há plataforma mais anti-establishment do que a dele, que já promete “causar problemas” para os velhos sócios do poder americano.

A lista de insurgentes vencedores a caminho do Congresso, em Washington, a partir do ano que vem, é significativa. Por exemplo, a socialista democrata Marcela Mitaynes, ativista da comunidade de Sunset Park que ganhou as primárias com a bandeira da habitação – em defesa dos inquilinos e dos direitos dos imigrantes, na extrema oposta pregação de Trump. Idem Zohran Mamdani, um conselheiro habitacional de 28 anos, cuja campanha política foi baseada na consciência de classe. Mamdani recusou dinheiro corporativo e se virou com doações médias em torno de US $ 36. Venceu na base da solidariedade e faz a classe trabalhadora se organizar um pouco. Já a enfermeira Phara Souffrant Forrest, de 31 anos, pretende atuar no ponto fraco dos republicanos, como Trump: o cruel sistema de saúde dos Estados Unidos, o provável maior culpado pelo mega fiasco do país na pandemia. São vários os perfis socialistas que surgem como renovação, alguns no rastro do fenômeno Alexandria Ocasio-Cortez, a deputada que há dois anos se tornou a mulher mais jovem no Congresso dos EUA, e que certamente será reeleita. ‘Prestenção no pacote, Bolsonaro.

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