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Carlos Henrique Abrão

Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo

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Privatizações sem concorrência: a armadilha do monopólio energético em São Paulo

O monopólio do fornecimento de energia na cidade é um campo minado, e sem alternativas, os consumidores pagam o preço pela ineficiência

Apagão em São Paulo (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

As privatizações realizadas ao longo de décadas no Brasil contemporâneo produziram resultados eficientes em determinados setores, porém em outros nem tanto. Basta olharmos aeroportos, portos e serviços essenciais destinados à população de uma forma geral. O que se pretende discutir no tema diz respeito à reflexão sobre o monopólio do serviço público, o que acaba sendo um perigoso

precedente, pois se a concessão não der bom resultado deverá ser revertida em prol de outro interessado licitante, e o procedimento como todo, sabemos, não é ágil. 

Vejamos o que acontece com a iluminação pública na cidade de São Paulo e também no fornecimento de energia elétrica para todas as classes e categorias de consumidores. O serviço deixa - e muito - a desejar. A iluminação pública se parece com um vagalume. Muitas ruas escuras e quase apagadas e o enorme problema de relicitar a cargo de uma solução no STF.

No que tange à empresa que é responsável pelo fornecimento e abastecimento de energia na cidade de São Paulo, o problema é mais antigo e toda vez que temos fenômenos da natureza, o tempo de religação do sistema é muito lerdo e grande parte da clientela comercial perde produtos e têm seus estoques jogados fora. O que se deve fazer é não permitir que apenas uma só empresa se responsabilize pelo fornecimento de energia para mais de 10 milhões de habitantes. O melhor seria provocar a concorrência e, com isso, gerar uma disputa pela melhoria do serviço e simplesmente do preço praticado no mercado, quando então, tal qual acontece com o serviço móvel celular, temos opções. Ao contrário, na energia é um campo minado e, se houver o descredenciamento da empresa italiana, teremos mais consequências provenientes de outra que vier a assumir o encargo e prestar garantia revestida de caução.

Os investimentos feitos têm se mostrado muito distantes da necessidade e da própria realidade. Fios e mais fios espalhados, árvores cupinizadas e, mais grave ainda, postes antigos e podres. Foram mais de 125 faróis apagados e o que tem de positivo é que tal fato sucedeu no final de semana, quando o trânsito provocado por um feriado nacional é menor. Porém, os radares dispostos ao longo da cidade de São Paulo continuam a funcionar e estão sempre atentos com usuários de celulares e ainda os que ultrapassam as velocidades de locais padronizadas em 40km/h ou 50km/h. De qualquer sorte, os órgãos reguladores são distantes dos interesses da sociedade civil e demoram para tomar medidas eficazes no caso. Os

acontecimentos pretéritos já recomendariam uma nova licitação e a presença de concorrentes.

A cidade de São Paulo, pela vastidão de imóveis residenciais, comerciais e industriais, deveria ser disponibilizada ao menos para três concessionárias cada uma em determinado setor, o que aparentemente seria possível e daria uma compreensão dos fenômenos adversos da natureza. Enquanto o problema não é solucionado e as intempéries surgem cada vez com maior intensidade, o melhor é se prevenir e ter uma previsão do tempo segura com termômetro da realidade pois, caso contrário, os estragos serão proporcionais à falta de responsabilidade do Estado e fica uma dúvida se as empresas de seguro arcarão com os prejuízos e entraram ou não com regresso contra o poder público que se mostra leniente e tarda para uma solução à espera da população.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.