Privatizar a Eletrobras é um ataque direto a soberania nacional

Existe uma forte pressão interna entre os acionistas privados e estrangeiros em retirar do país esse patrimônio que é estratégico na garantia da soberania nacional. Mais uma vez estamos no caminho do retrocesso

Existe uma forte pressão interna entre os acionistas privados e estrangeiros em retirar do país esse patrimônio que é estratégico na garantia da soberania nacional. Mais uma vez estamos no caminho do retrocesso
Existe uma forte pressão interna entre os acionistas privados e estrangeiros em retirar do país esse patrimônio que é estratégico na garantia da soberania nacional. Mais uma vez estamos no caminho do retrocesso (Foto: Cláudio Vignatti)

Responsável pela geração, transmissão e distribuição de mais da metade da energia elétrica consumida no Brasil, a Eletrobrás tem sido pauta constante na Câmara dos Deputados. Está em trâmite um projeto de privatização desta empresa de economia mista, cujo maior acionista é o Governo Federal Enquanto o Governo acredita que privatizar é "recuperar a eficiência da estatal", nós temos clareza que privatizar a Eletrobrás, a maior empresa de energia elétrica da América Latina, não é a solução, é a entrega do poder de decisão para uma empresa privada e provavelmente estrangeira da nossa produção e distribuição de energia. Além disso, acarreta prejuízos para a população (com o aumento da tarifa) e para os 17 mil trabalhadores (com a redução do salário).

Os países desenvolvidos mantêm o controle das suas empresas de distribuição e produção de energia pois compreendem a importância da fonte energética para qualquer país. Um exemplo disso, é os Estados Unidos, onde o próprio exército controlada essa empresa, evitando qualquer situação que colocaria em risco a produção de energia que é vital para a defesa de um país.

Ouve-se falar que a Eletrobrás é ineficiente e apresenta prejuízos, entretanto, existem denúncias que a própria empresa financiou boatos para manchar sua imagem contribuindo para o processo de privatização e por retirar o controle desta empresa das mãos do setor público, afinal, os acionistas representam o mercado financeiro. Outra especulação diz respeito ao interesse do mercado financeiro internacional em controlar essa que é uma das mais estratégicas empresas na garantia da soberania nacional.

Segundo Rita Dias para o Jornal GGN, "a Eletrobrás apresentou lucro de R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre de 2017 e de R$ 3,4 bilhões em 2016". Nos anos que a empresa recebeu impacto negativo, nada teve relação com a eficiência da gestão do estado, mas sim com outros fatores como, por exemplo: "I) a edição da MP 579, que se transformou na Lei 12.783; II) a avalanche de provisões relacionadas aos processos do empréstimo compulsório; III) impairments relacionados, principalmente, com a Lei 12.783, que alterou a projeção de receitas, e com a interrupção de obras, especialmente de Angra III; e IV) os prejuízos das suas subsidiárias de distribuição".

A partir do desdobramento dessa questão é visível que o problema da Eletrobrás não é de cunho administrativo, mas sim da vontade política em manter a empresa lucrativa. Existe uma forte pressão interna entre os acionistas privados e estrangeiros em retirar do país esse patrimônio que é estratégico na garantia da soberania nacional. Mais uma vez estamos no caminho do retrocesso.

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