Procuradores da Lava Jato e a canção de Luiz Gonzaga "respeita Januário"

Ao adotarem o nome do grupo “OS FILHOS DE JANUÁRIO” no aplicativo de troca de mensagens Telegram, os procuradores da Operação Lava Jato revelam mais suas intenções do que o conteúdo das mensagens.

O juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, durante sessão especial na Assemblei Legislativa do Paraná (ALEP).
O juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, durante sessão especial na Assemblei Legislativa do Paraná (ALEP). (Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP)

Ao adotarem o nome do grupo “OS FILHOS DE JANUÁRIO” no aplicativo de troca de mensagens Telegram, os procuradores da Operação Lava Jato revelam mais suas intenções do que o conteúdo das mensagens.

A canção ‘Respeita Januário’ de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, figura emblemática da grandeza e genialidade cultural nordestina, é utilizada de forma jocosa, revelando muito mais a real intencionalidade da Operação Lava Jato do que as comedidas mensagens trocadas no “Grupos de Procuradores”, até o momento divulgadas em conta-gotas pelo site The Intercept e o Jornal Folha de São Paulo.

A canção “Respeita Januário” do grande Luiz Gonzaga é tida como uma autobiografia, retratando um choque de gerações entre Luiz Gonzaga e seu pai Januário, que apesar da fama e glória que seu filho conquistou, exige o respeito de Luiz. A referida canção é usada no contexto lavajatista para expressar o ódio que a elite tem contra o ex-presidente e o PT, pelas políticas sociais implantadas em seus governos que contribuíram para a distribuição de riquezas, e por conseguinte, para a diminuição das injustiças sociais.

O refrão da música: “Luiz respeita Januário” expressa uma ordem dirigida ao ex-presidente Luiz Inácio. Que apesar de todos os seus grandes feitos teria que se submeter “os oito baixos do teu pai!” (O acordeon diatônico de oito baixos consiste em um pequeno acordeon formado por vinte e um botões para a mão direita e oito botões para a mão esquerda). Os procuradores da Lava Jato como filhos de Januário seriam, pela ótica patriarcal e oligárquica, herdeiros dessa prerrogativa. Fazendo-a valer ao longo de todo o processo pseudojurídico ao qual o ex-presidente vem sendo submetido.

Ao ouvir a música de Luiz Gonzaga somos relembrados de diversas ações perpetradas pela Lava Jato na sua sanha inquisitorial, em um processo brutal e destrutivo contra Lula. Dá frase: “Se o senhor começar comigo neste tom, a gente vai ter problema” ao recente sequestro de 77.9 milhões em bens do ex-presidente, quantia imaginária, amplamente divulgada pela mídia como verdadeira, nos traz de volta à letra da canção: “Um dinheiro danado! Enricou! Tá rico! Pelos cálculos que eu fiz”.

A elite lavajatista, enquanto classe dominante, foi fidedignamente descrita por Paulo Freire como “feia e perversa”. Assim sendo, cumpre sua  natureza ao tentar anular toda a história de vida de Lula, que saindo do Nordeste brasileiro, onde sobrevivia sob duras condições, alcança o posto mais importante da política nacional, tornando-se um símbolo para a classe trabalhadora. Distribui riquezas entre os brasileiros, buscando promover justiça social. Nesta incansável luta “para salvar vidas” Lula angaria o ódio da elite escravocrata que abomina a ascensão social dos pobres, a exemplo da insatisfação soberbamente expressa pela jornalista Danuza Leão “Ir a Nova York ver os musicais da Broadway já teve sua graça, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça?”

O respeito conquistado por Lula, e o que sua história representa para a classe trabalhadora e para os segmentos historicamente marginalizados da sociedade brasileira, se constituiu no principal alvo da Operação Lava Jato. Os constantes vazamentos seletivos orquestrados pelo grupo, buscavam destruir o legado de Lula para o Brasil, como a canção nos alerta: “Dispois que esse fi de Januário vortô do sul. Tem sido um arvoroço da peste lá pra banda do Novo Exu. Todo mundo vai ver o diabo do nego. Eu também fui, mas não gostei”.

A Lava Jato “viu, ouviu” e não gostou, Lula foi condenado “por ato de ofício indeterminado” num processo onde o Procurador afirma nos autos não haver prova substancial, mas sim, convicção. As revelações do The Intercept nos mostram que nem convicção, para imputar conduta delituosa, a Lava Jato tinha.

“Eu também fui, mas não gostei” traduz a lógica lavajatelitista de aversão à possibilidade de haver, no Brasil, Justiça Social e distribuição de riquezas.  Buscam a todo custo preservar os privilégios gozados pela elite nacional, mesmo que seja em detrimento da própria Constituição Federal que juraram defender. Justa se faz a indignação de Jesse de Souza ao saber da seletividade da operação ao poupar Fernando Henrique Cardoso das suas investigações: “Por que se esconde os crimes reais do sociólogo “quase francês” enquanto se inventa crimes fictícios para o metalúrgico?”.

O escárnio deles contra Lula também é descrito na canção: “O nego tá muito mudificado. Nem parece aquele mulequim que saiu daqui em 1930. Era malero, bochudo, cabeça-de-papagaio, zambeta, feeei pa peste!”. É a identidade pejorativa que buscam impor ao ex-presidente. A descrição feita da juventude nordestina, marcada pelas grandes injustiças sociais existentes no Brasil fomentadas pela elite nacional que não tolera a melhoria das condições de vida das categorias sociais historicamente alijadas.

A condição de vida que buscam relegar aos nordestinos é a imortalizada nas palavras de João Cabral de Melo Neto “Morte que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte Severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida)”.

Buscam trazer de volta essa realidade opressora aos pobres, realidade combatida por Lula, que por sentir na pele os efeitos da extrema pobreza dedicou sua vida a combater a fome e a miséria no Brasil. O legado de Lula é mundialmente reconhecido, seus esforços são internacionalmente respeitados. Longe de negar o lugar de onde veio Lula o resgata “Aqui eles têm um pernambucano teimoso” “Quem nasceu em Pernambuco e não morreu de fome até os cinco anos de idade, não se curva mais a nada”.

Para deter o avanço social e democrático promovido por Luís Inácio Lula da Silva e pelo PT a Lava Jato surge, e com ela seu principal maestro Sérgio Moro para pôr fim ao progresso social, novamente a canção nos traduz “Sabe de uma coisa? Luiz tá com muito cartaz! É um cartaz da peste! Mas ele precisa respeitar os 8 baixos do pai dele E é por isso que eu canto assim! Luís respeita Januário”.

Numa operação/processo viciado, antidemocrático e inconstitucional a Lava Jato, despida pelas revelações do The Intercept, avançou com sua sanha destrutiva contra a própria democracia, plantando as sementes para a eleição de 2018.

Como o nome “Filhos de Januário” demonstra, esse avanço foi meticulosamente direcionado contra Lula e contra o PT. Os recentes vazamentos demonstram o caráter político partidário da operação. De todas as revelações do The Intercept, o nome do grupo é o menos comentado, mas é a mais contundente revelação dos reais objetivos da Lava Jato.

Entretanto, como bem profetizou o Papa Francisco, em carta à Lula: “no final, o bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e salvação vencerá a condenação”. Se o objetivo da Lava Jato era encerrar Lula numa masmorra em Curitiba e com ele aprisionar também a esperança do povo brasileiro por liberdade, igualdade material e Justiça Social a história validará as palavras do Grande Líder Operário Luiz Inácio Lula da Silva “Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia misturada com as ideias de vocês”, proclamou. “Minhas ideias já estão no ar e ninguém poderá encerrar. Agora vocês são milhões de Lulas”.

No atual contexto brasileiro de “Democracia em Vertigem”, é imperioso que esses milhões de Lulas espalhados por todo o Brasil e pelo Mundo, se unam, e em uníssono bradem: Respeitem Lula, Filhos de Januário.

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