Prosperidade ideológica

O Brasil vive um momento inusitado com relação à compra da vacina de origem chinesa. Infelizmente, estamos assistindo um debate em que o que menos importa é a saúde das pessoas, mas o capricho daqueles que possuem o poder de decisão

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Ultimamente, muito se tem falado a respeito da ideologia. Acontece que defini-la é algo extremamente desafiador. Acredita-se que a primeira vez vem em que o termo foi usado, foi por intermédio de Destut de Traçy, no final do século XVIII. Vários escritores franceses do século XIX, também utilizaram. Daí em diante, a palavra foi se tornando cada vez mais corriqueira no glossário político. Mas é na obra Ideologia Alemã escrita por Marx e Engels que o termo ganhou a conotação de algo ligado diretamente a uma falsa consciência. Assim eles disseram: “os homens e as circunstâncias aparecem de cabeça para baixo, tal como uma câmara obscura”. Na opinião de Mannheim, “o estudo das ideologias incumbiu-se de desmascarar as decepções e os disfarces mais ou menos conscientes dos grupos de interesses...”

 O Brasil vive um momento inusitado com relação à compra da vacina de origem chinesa. Infelizmente, estamos assistindo um debate em que o que menos importa é a saúde das pessoas, mas o capricho daqueles que possuem o poder de decisão com relação aos medicamentos e vacinas que podem ser comercializados no Brasil.

 Lamentavelmente, o debate tem se limitado ao capricho ideológico, onde de um lado aqueles que por não corroborarem do modelo político chinês de governar, colocam querelas ideológicas acima do dom da vida humana. Por outro lado, existem os que se aproveitam da situação para colher dividendo eleitorais, procurando construir uma apologia oriunda com relação à origem da vacina.

 Tolher a compra de antídoto para combater o contágio do COVID-19 pelo fato de ser oriundo da China é algo pequinês para a dimensão do drama que o vírus causa na vida das pessoas. É acreditar que o problema da pandemia, se resolve pela coloração partidária e consequentemente ideológica. A preocupação deve ser com relação à eficácia da vacina. Jamais deverá ser levada em consideração sua geografia política. Vale lembrar que isso só é possível, quando há pessoas de bom senso. Coincidentemente, foi justamente no mês de outubro de 1904, que o Brasil vivenciou a chamada revolta da vacina, onde muitos influenciados pelos remanescentes da oposição oriunda dos jacobinos resolveram boicotar a campanha encabeçada pelo sanitarista Oswaldo cruz, que visava combater doenças como malária, varíola e peste bubônica. Ao ser aprovada a lei que obrigava a vacinação contra a varíola, foi o estopim para a revolta popular. 

 Discutir a obrigatoriedade do indivíduo de se vacinar é algo de grandes debates, mas a prioridade é a chegada da vacina, seja de onde for. Contanto que ela seja capaz de alcançar o objetivo. 

P.S. O Brasil ficou musicalmente mais pobre com o falecimento da cantora Vanusa.

 

 

 

Hely Ferreira é cientista político.

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