Provérbio Romano esquecido pelo Senado

O fato de não termos nossas aspirações políticas atendidas pelo ingrato povo, cujo voto não foi a nós direcionado, não nos dá motivo para fazermos atentados perigosos contra a democracia

O fato de não termos nossas aspirações políticas atendidas pelo ingrato povo, cujo voto não foi a nós direcionado, não nos dá motivo para fazermos atentados perigosos contra a democracia
O fato de não termos nossas aspirações políticas atendidas pelo ingrato povo, cujo voto não foi a nós direcionado, não nos dá motivo para fazermos atentados perigosos contra a democracia (Foto: David Nogueira)
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1. Provérbio Romano esquecido pelo Senado...

Zoneou de vez! Eu pensei já ter visto quase tudo na vida em termos de "político cara de pau" nos gloriosos tempos das célebres entrevistas de Paulo Maluf justificando sua completa inocência diante dos "tufos" de dindim encontrados na Suíça e nas Ilhas Jersey. Segundo constou, toda aquela grana teria saído de relações pouco republicanas entre o então Prefeito de São Paulo, ele (1993/1996), e as empreiteiras responsáveis pela construção de grandes obras de mobilidade urbana dentro da agitada capital paulista. Mas tudo aquilo é passado... o mundo evoluiu e não existe mais óleo de peroba disponível no mercado para atender a atual demanda!

2. A pobreza da educação democrática

Independentemente dos gostos políticos, religiosos, sexuais ou animalescos, o que está em jogo é algo mais complexo e muitos de nós parecem não se dar conta disso. O fato de não termos nossas aspirações políticas atendidas pelo ingrato povo, cujo voto não foi a nós direcionado, não nos dá motivo para fazermos atentados perigosos contra a democracia. Não autoriza o meliante frustrado a destruir a estrutura do Estado para, no caos, fazer surgir a "força" como tábua de salvação, a impor uma série de medidas autoritárias e perigosas (veja o exemplo da Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, Irã, China, Rússia, Chile... Brasil, além das republiquetas de bananas da América Latina e África). O perigo é real.

3. A afronta

Os responsáveis pelo Poder Judiciário permitiram a ultrapassagem dos limites – inteligentes e aceitáveis – pelos "comandantes supremos" da operação Lava a Jato (ação extremamente necessária). Impávidos e coniventes, os deuses dos deuses de preto sucumbiram diante de nebulosos interesses políticos e partidários, transformando em um mangue, tipo meia-boca, um processo importante para a reorganização do Estado. As prisões preventivas sem-fim de algumas figuras em detrimento de outras em posições semelhantes... o vazamento seletivo de informações descontextualizadas... a espetacularização do processo jurídico, transformando o Poder na antessala de um picadeiro mambembe... as afrontas recorrentes às prerrogativas dos advogados em exercício profissional de defesa de seus clientes... o uso de escutas clandestinas dentro de celas... a delação premiada oferecida em momentos extremos nos quais a verdade passa a ser relativizada... tudo ajudou a deixar o processo, como um todo, sob suspeição na forma e, irremediavelmente questionável, na ação. Falo isso com o espírito bem distante das paixões políticas de momento.

4. Melindres e vaidades

A invasão da casa de três ilustres senadores (a pedido e comando do Ministério Público Federal), no último dia 14, mexeu com os brios dos intocáveis e divinais políticos da Casa Alta. Não importa a força das provas ou o tamanho da delinquência a ser apurada (eu espero que sejam graves o bastante para justificar o circo). O fato de arranhar-se a imagem imaculada dos semideuses do parlamento não poderia ficar sem respostas. Uma coisa é certíssima, toda ação legislativa que chegue para dar mais transparência, credibilidade e responsabilidade ao Judiciário é bem-vinda... e já chega tarde. A Justiça não pode permanecer uma Caixa Preta composta por "homens e mulheres" cujos comportamentos os assemelham a de divindades. Isso não cabe numa sociedade democrática moderna. Mas... o Senado não pode se amiudar!

5. Ladrão de galinhas pode virar Gerente de galinheiro?

O Congresso precisa não só ser honesto... ele tem que parecer honesto. Aquela Casa é o espelho de nossa sociedade e, cá entre nós, a nação não é tão ruim quanto o Parlamento eleito pelos nós, desnudados tupiniquins, em 2014! No Senado, nestes dias turvos, surgiram inúmeras propostas de Leis para regulamentar setores e normatizar procedimentos do mundo da Justiça. Lindo!!! Nesse senário catastrófico, delicado e carente de moralidade, adivinhem quem é destacado para ser relator de uma matéria tão sensível e complexa??? Senador Ivo Cassol (PP/RO)... e ele aceitou!!! Esse cidadão, além da enormidade de processos a pairar sobre seu robusto ombro, já está julgado e condenado... a sentença já transitou em julgado... deveria estar na cadeia há dois anos... e é essa figura "emblemática" que o Senado do Brasil destaca para relatar matérias a regulamentar o Poder Judiciário do país??? O que o cidadão comum, simples cara pálida da aldeia, pode esperar de um tipo de coisa como essa? Que os exageros nitidamente políticos partidários capitaneados pelo "Rei do Paraná" na operação Lava a Jato são perigosos para a sociedade é um fato. Não obstante, os sinais e gestos vindos do desgastado Poder Legislativo Nacional não são capazes de nos encher de esperança... Há que cuidar!

Lembrando: A política em si é uma arte nobre que não deve ser judicializada e não pode ser criminalizada, como tem sido feito. É ela, e somente ela, quem deve nos conduzir no processo de consolidação de sociedades democráticas. Não quero mais escutar o grunhido peçonhento dos medíocres. A nação precisa ouvir a voz condutora dos estadistas de veias democráticas. (E eles existem em todos os partidos, mas tem que procurar muito e deixá-los falar).

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