PT: posicionamentos obtusos que inviabilizam mudança

Em uma dura crítica ao PT, o cientista político Robson Sávio Reis Souza destaca que "uma parte" do partido "não aceita críticas", acha que sempre está certa e, depois de já ter se afastado das bases, "usa da velha política da chantagem ou da vitimização para sempre se manterem onde está"; "Agindo dessa forma - e não se abrindo para mudanças estruturais e correções de rumo -, o partido está fadado a se tornar um mero mediador entre interesses da elite e interesses dos trabalhadores", critica o professor, em texto publicado em seu Facebook, um dia depois de o partido ter se manifestado, em nota assinada pela presidente, Gleisi Hoffmann, contra o afastamento do senador Aécio Neves

Em uma dura crítica ao PT, o cientista político Robson Sávio Reis Souza destaca que "uma parte" do partido "não aceita críticas", acha que sempre está certa e, depois de já ter se afastado das bases, "usa da velha política da chantagem ou da vitimização para sempre se manterem onde está"; "Agindo dessa forma - e não se abrindo para mudanças estruturais e correções de rumo -, o partido está fadado a se tornar um mero mediador entre interesses da elite e interesses dos trabalhadores", critica o professor, em texto publicado em seu Facebook, um dia depois de o partido ter se manifestado, em nota assinada pela presidente, Gleisi Hoffmann, contra o afastamento do senador Aécio Neves
Em uma dura crítica ao PT, o cientista político Robson Sávio Reis Souza destaca que "uma parte" do partido "não aceita críticas", acha que sempre está certa e, depois de já ter se afastado das bases, "usa da velha política da chantagem ou da vitimização para sempre se manterem onde está"; "Agindo dessa forma - e não se abrindo para mudanças estruturais e correções de rumo -, o partido está fadado a se tornar um mero mediador entre interesses da elite e interesses dos trabalhadores", critica o professor, em texto publicado em seu Facebook, um dia depois de o partido ter se manifestado, em nota assinada pela presidente, Gleisi Hoffmann, contra o afastamento do senador Aécio Neves (Foto: Robson Sávio Reis Souza)

Vamos combinar: uma parte do PT, definitivamente, não aceita críticas. Sempre estão certos; sempre são as vítimas do complô; sempre são os guardiões da boa política; sempre fazem a análise correta da conjuntura e os outros sempre estão errados. São incapazes de reconhecer erros e descaminhos. Ignoram, solenemente, que o partido - que é a agremiação mais democrática entre as demais -, também tem elites com visões de mundo conservadoras e mesquinhas. Que tais elites partidárias, há muito, se afastaram das bases e, às vezes, usam da velha política da chantagem ou da vitimização para sempre se manterem onde estão, inclusive a inviabilizarem renovação no partido. Sempre estão com a razão... São os donos da verdade!

Agindo dessa forma - e não se abrindo para mudanças estruturais e correções de rumo -, o partido está fadado a se tornar um mero mediador entre interesses da elite e interesses dos trabalhadores; ou seja, continuar construindo pontes frágeis entre dois mundos que não se comunicam. O resultado desse tipo de política é que qualquer mudança sempre será incremental, condenando as gerações presentes a lançarem suas esperanças num futuro inalcançável. Até porque, pactos com disputas altamente assimétricas sempre acabam por favorecer o lado mais forte (no caso, os grupos que sempre dominaram o país).

O golpe foi a confirmação cabal desse tipo de política. Só não vê quem não quer.

Ademais, nos modelos de democracia capitalista, somente depois de rupturas foram possíveis avanços reais para os trabalhadores. Ou seja, acreditar na institucionalidade para a superação de crises profundas, como a que vivemos, é apostar no mais do mesmo.

O PT, a força política de centro-esquerda mais organizada e com as melhores condições de disputar com os grupos de elite, precisa definir com clareza que projeto de sociedade, na conjuntura atual, pretende disputar. Se continuará apostando em parcerias com segmentos do establishment, ou se está disposto a liderar processos de transformação duradouros e efetivos.

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