PT sem medo

O PT sobreviverá à crise e à perseguição se for capaz de ser um instrumento de luta da classe trabalhadora, e se for maior que a soma das suas tendências, agrupamentos, dirigentes, parlamentares e governantes

O PT sobreviverá à crise e à perseguição se for capaz de ser um instrumento de luta da classe trabalhadora, e se for maior que a soma das suas tendências, agrupamentos, dirigentes, parlamentares e governantes.

Será protagonista se souber dar voz e organicidade aos novos sujeitos e atores emergentes das lutas sociais, sindicais, culturais e politicas, se for porta voz e espaço canalizador das lutas de mais de 70% da população que o modelo neoliberal em vigência empurra para a exclusão da renda e da cidadania.

Os 367 deputados e 61 senadores que se juntaram no golpe contra soberania popular, fizeram por interesses pessoais e escusos, mas principalmente para atender ao clube dos endinheirados do Brasil, que pouco se importam com a nossa subserviência desde que mantenham sua concentração de renda, bem como aos endinheirados do Mundo que querem o Brasil como celeiro, subalterno aos seus interesses.

A chamada "Ponte para o futuro", redigida pelo PSDB, apresentada pelo PMDB e defendida pelo governo ilegítimo de Temer, é à volta ao colonialismo agroexportador, modelo que a divisão internacional sempre quis nos confinar.

AS RAZÕES DO GOLPE

Derrotar a soberania popular que elegeu o programa de aprofundamento de direitos.

Cassar o mandato da Presidenta Dilma, promovendo uma perseguição vorás ao Presidente Lula e ao PT, por meio do Estado de exceção com clara ruptura da democracia.

Tornar o Estado anêmico sem capacidade de formular politicas econômicas ou proteger os mais vulneráveis.

Desestimular o desenvolvimento industrial, destruir as empresas nacionais, estatais e privadas. Vide a situação da Petrobras, da nossa engenharia e da indústria naval.

Flexibilizar o mercado de trabalho em prejuízo dos trabalhadores e em beneficio do capital. A PEC 241/55 é o instrumento jurídico politico para institucionalizar a derrocada dos direitos conquistados na Constituição de 1988.

.Além da vocação autoritária e antidemocrática, os golpistas estão interessados em perpetuar uma politica tributária regressiva favorecendo os rentistas e o capital financeiro.

O PT DEVE RECUSAR O CALVÁRIO

Em 2017 o PT fará 37 anos e o seu VI Congresso desde já deve recusar o calvário imposto pela mídia em cooperação com as forças golpista.

Nenhuma força politica verdadeiramente progressista e democrática deveria fazer coro com esse massacre avassalador que as tropas conservadoras desfecham contra Lula e o PT.

Um PT resignado e de joelhos não é compreensível e nem aceitável. Pedir perdão por ter melhorado a vida dos mais pobres? Por tornar o Brasil respeitado? Por protagonizar com sucesso a organização dos BRICS? Por ampliar a remuneração do trabalho com ganhos reais acima da inflação? Por valorizar o salario mínimo? Por melhorar o acesso à saúde e a educação? Por transferir 14% da renda para o "andar de baixo"? Quem desejar fazer que o faça, mas não em nome do PT.

Não devemos nos martirizar, ou fazer caça as bruxas antes de perguntar, porque a sociedade brasileira convive com uma taxa de juros tão astronômica, com uma sonegação fiscal absurda, com uma politica tributária tão escandalosamente injusta, com evasão de divisas secularmente praticada, com uma das maiores concentrações de renda do planeta? Essa é a verdadeira corrupção intrínseca ao modo de produção capitalista.

O PT não tem que se preocupar em ser o novo, nem o antigo, mas deve ser a síntese de seu acumulo e aprendizado de mais de três décadas de disputa de hegemonia, ladeado pelos setores progressistas da sociedade em conflito com as forças hegemônicas do capital.

O PT ainda é o partido com o maior contingente ativo e militante para protagonizar esses embates e preparar 2018.

Cabe a nós, não exclusivamente, a iniciativa de democratizar o debate, mobilizar as energias inconformadas com o desmonte do nosso patrimônio, dos nossos direitos e da nossa democracia.

As forças de esquerda, populares progressistas, democráticas e nacionalistas precisam unir-se, porque o golpe e seus objetivos têm raízes na geopolítica e estão entranhados no Brasil através das agencias de inteligência que atuam para as corporações transnacionais estrangeiras e seus respectivos países.

Os interesses destas Cias no Pré-sal e reservas naturais do Brasil é o motivo para financiarem desse teatro de marionetes, uma espécie de "João Redondo", que dispõe de mãos, pés, inteligência, tecnologia e logística para consumar seus interesses.

DESAFIOS DO PT

A eleição de 2018 é a etapa decisiva desse ciclo de confrontações com o capital hegemônico. Lula apresenta-se ainda como única liderança capaz de conduzir um bloco democrático popular e nacionalista, e o PT mesmo sob permanentes ataques e com as derrotas expressivas em 2016, continua sendo a força politica com maior capilaridade e energia latente para conclamar a todos para esse desafio.

As forças do golpe estão em claro estranhamento, às gravações do caso Gedel/Temer/Calero sinalizam que existe em curso a possibilidade de um golpe dentro do golpe.

O PSDB foi o grande beneficiário do desgaste do PT nas eleições de 2016 e agora conspira para sentarem no trono sem voto popular.

Para isso contam com a confusão da crise politica e com muitos aliados nas instituições em conflito, além do beneplácito da mídia.

Temos que fazer oposição programática ao governo golpista, unindo todas as forças contra o programa neoliberal derrotado nas eleições de 2014.

Tornar o debate livre e aberto a todos que queiram contribuir com os nossos desafios, sem caixinhas de segredos, sem clube de bolinhas, sem guetos, sem intolerâncias ou burocracias. Vencer os nossos limites é um desafio, ser capaz de ouvir o diferente, sem sectarismos sem credos oficiais. E "para não dizer que não falei das flores", uma direção renovada, nem dos iluminados, nem tão pouco dos doutores das cátedras.

Por coerência, mas também por necessidade, precisamos resgatar e estimular os Diretórios Zonais, os núcleos digitais e presenciais em todos os espaços que a nossa militância se faça presente: local de trabalho, moradia. A nossa derrota nas eleições municipais de 2016, implica que a frente de batalha se deslocou do castelo para o território.

Temos que defender o PT, Lula, o nosso legado, a democracia e o Estado de direitos.

Entre tantos legados o nosso principal, é a nossa militância que além de aguerrida é generosa, a ela podemos creditar as nossas vitórias, conquistas e será com ela que iremos enfrentar as tarefas da conjuntura.

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