PT um partido de todos e de ninguém

Talvez esteja aí uma das causas da grandeza do PT: um partido de todos e de ninguém; ou melhor, todos se sentem no direito de decidir sobre o partido; todos têm opinião sobre o partido e sua dinâmica interna; se o partido pode ou ter candidato, quem deve ou não apoiar

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Desde que me dispus a acompanhar e refletir sobre a política percebi a veracidade do velho dito popular de que, no Brasil, em se tratando de política, até boi voa.

Mas, nos últimos tempos, boi tem voado e feito ninho! 

Um bom exemplo é o que está acontecendo com o Partido dos Trabalhadores (PT). Pra começar, o partido recebeu uma dissimulada proposta de “perdão” e “paz” da Rede Globo, uma das principais responsáveis pelo golpe de 2016, que depôs a presidente Dilma Rousseff, instalou um governo ilegítimo e abriu o caminho para a ascensão do bolsofascismo no Brasil.

Pois é, depois de tudo isso, a Globo agora propõe paz. Mas, é uma proposta estranha uma vez que é oferecida apenas a uma parte do partido, uma suposta “ala moderna, de Haddad”; e na condição de que esta (e todo o partido) descarte a outra, uma fictícia “ala atrasada, de Lula e Dirceu”. Esta, aliás, deve ser aleijada até mesmo do próprio partido.

Mas, não é só a Globo que propõe “perdão” ao PT e se oferece pra conduzi-lo, dando-lhe uma “nova orientação”. Pois vejam: depois que o PT, a partir de debates internos, conforme o regimento partidário, optou por candidatura própria em São Paulo, encabeçada pelo ex-secretário Jilmar Tatto, alguns, sobre pretexto de serem militantes, decidiram que o PT “não pode” ter (esta) candidatura.

Ou seja, o partido e seus filiados seguiram suas regras, decidiram por uma candidatura. Mas, ao que parece, não sendo aquela do agrado de alguns, o candidato não serve! Serviria se fosse outro; o escolhido pelos filiados não pode! Então, agora, temos um singular movimento político, aliás, presente não apenas em São Paulo, mas em vários municípios: o “petismo dos não-petistas”.

Aliás, esse movimento esteve presente nas eleições presidenciais de 2018 quando se tentou criar hipótese semelhante com a proposta de que o PT deveria apoiar uma “candidatura de fora do partido”; houve quem propusesse o nome do ex-peesdebista Ciro Gomes; era o movimento “Petismo sem PT”!

Agora, temos tentativas semelhantes em São Paulo. Ou, pelo menos, esta é a impressão que tem quem está acompanhando de longe: em nome da força do partido, este deve abrir mão da disputa e apoiar uma candidatura de outro partido, mas ao gosto de certos intelectuais e das classes médias de esquerda. Ou seja: o PT serve quando curva!

Seria isso?

Talvez esteja aí uma das causas da grandeza do PT: um partido de todos e de ninguém; ou melhor, todos se sentem no direito de decidir sobre o partido; todos têm opinião sobre o partido e sua dinâmica interna; se o partido pode ou ter candidato, quem deve ou não apoiar.

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