Punições imprescindíveis, prisões necessárias!

Não é de agora que alguns personagens, por negação e/ou ignorância histórica, têm propalado que o conjunto de acontecimentos que ocorreu no dia 31 de março de 1964 culminou com a “preservação da liberdade nacional” contra o comunismo que “ameaçava o país”

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No início deste mês de março o presidente da República, Jair Bolsonaro, dizia aos quatro cantos do país que iria comemorar o dia 31 de março, fatídico dia em que o Brasil sofreu um golpe civil-militar no ano de 1964. O Clube Militar, na esteira de Bolsonaro, reforçou a “importância” de festejar o dia 31 de março. Os membros do Clube queriam celebrar a data com um jantar, porém supostamente voltaram atrás e cancelaram o evento. 

Não é de agora que alguns personagens, por negação e/ou ignorância histórica, têm propalado que o conjunto de acontecimentos que ocorreu no dia 31 de março de 1964 culminou com a “preservação da liberdade nacional” contra o comunismo que “ameaçava o país” e que “girava em torno de João Goulart” (Goulart era trabalhista e a ameaça comunista uma invenção política). Nessa perspectiva, o que houve então foi uma espécie de “revolução” com a finalidade de “livrar” o Brasil das “garras vermelhas”, o que se configura como uma péssima investida em tentar algum tipo de revisionismo histórico.  

Essa visão está longe de se sustentar historicamente, entretanto, embora restrita aos Quartéis e demais espaços das Forças Armadas (e consequentemente de ex-militares, tal qual o Clube Militar), ela extrapolou tais fronteiras, como foi possível perceber de forma esporádica nas manifestações de junho de 2013 e de maneira mais sistemática nos movimentos pelo impeachment da presidenta Dilma em 2016 e na campanha eleitoral de Bolsonaro em 2018 – este sendo o grande incentivador desta visão, louvando o que foi uma ditadura sanguinária, com perseguições, prisões, torturas e assassinatos políticos. 

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Mas como pode parte dos políticos, parcela de magistrados, setores da sociedade e o próprio presidente da República exaltar e glorificar uma ditadura civil-militar que durou 21 anos e que deixou como saldo uma enorme dívida externa, uma inflação galopante, uma desigualdade social brutal, além de centenas de mortos políticos? (os militares foram péssimos administradores no passado, e continuam sendo – Vide Pazuello e membros deste governo atual). 

Resposta: A ausência do que ocorreu no Chile e na Argentina, por exemplo. Faltou responsabilizar as Forças Armadas e os seus expoentes diretos pelas perseguições, torturas e assassinatos políticos. A anistia ampla, geral e irrestrita infelizmente contribuiu para o que estamos vendo agora: o intolerável sendo tolerável e ganhando até mesmo adeptos, que defendem o que chamam de “intervenção militar”, sem nenhum pudor. Tanto no Chile como na Argentina louvar (como faz aqui o próprio presidente) o período das ditaduras é indecoroso.  

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Temos que enfrentar essa questão ainda. Não obstante, ela é a ilustração de que não podemos incorrer novamente no mesmo equívoco e deixar impunes os crimes cometidos no âmbito da operação lava jato, esta operação que subverteu regras e princípios do Direito, atacou a Constituição e o Estado Democrático, intervindo nas eleições de 2018 (com a prisão ilegal do ex-presidente Lula e os vazamentos seletivos no primeiro turno para prejudicar o candidato Fernando Haddad, que substituiu Lula), destruindo a economia nacional (quebrando empresas nacionais e aumentando o desemprego) e fazendo acordos ilegais com outros países à revelia dos interesses nacionais. 

Moro, Dallagnol e companhia cometeram crimes e precisam responder por eles, sob pena de se “normalizar” as ações criminosas e, num futuro próximo, termos um clamor/louvor – como vemos hoje de alguns setores sociais pelo retorno de uma ditadura militar – do regresso de algo parecido, de uma espécie de “nova lava jato”.  

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As punições são imprescindíveis. E as prisões necessárias!

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