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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Quando ouve falar em Cultura, Mário “Goering” Frias saca logo o revólver

"Vai ver o ex- galã de 'Malhação' está ensaiando, às escondidas, o papel de Herman Goering, o número 2 de Hitler, a quem é atribuída a máxima 'quando ouço falar em Cultura, saco logo meu revólver'", escreve Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia, em referência ao secretário de Cultura do governo Jair Bolsonaro, Mario Frias, que anda armado

Mario Frias (Foto: Roberto Castro/Mtur | Reprodução)

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Exatamente 167 dias depois de assumir a Secretaria Especial de Cultura do governo Bolsonaro, a 3 de dezembro de 2020, Mário Frias solicitou porte de arma à Polícia Federal:

“Temo pela minha integridade física”, justificou, segundo informação do UOL.

Felizmente de lá para cá nada ocorreu com ele, mas o clima que descreve na sua secretaria, na carta que enviou para obter o porte, é de filme de Hitchcock ou de Quentin Tarantino:

“Desde que fui nomeado para a função, tenho sofrido situações nas quais me vejo em estado de alerta e pelo qual tenho receado pela minha integridade física, dos meus familiares e da minha equipe”.

Eis a carta que enviou à PF, na íntegra:

“Frequentemente sou abordado por diversas pessoas para tratativas de vários assuntos, alguns sensíveis e complexos e às vezes algumas dessas pessoas se constituem de pessoas estranhas a mim e à minha equipe. Tais fatos tem ocorrido desde que fui nomeado para a função e, desde então, tenho sofrido pressões diversas, situações nas quais me vejo em estado de alerta e pelo qual tenho receado pela minha integridade física, dos meus familiares e da minha equipe”.

Ou ele exagerou às pampas, com seu português tosco de aluno do Mobral, apenas para convencer a PF, no que obteve êxito, pois em quatro dias apenas recebeu o porte ou trabalhar no governo Bolsonaro e especialmente na sua secretaria é extremamente perigoso.

Mas, vem cá, se quem manda lá é ele, o responsável por esse clima de eterna ameaça deve ser ele mesmo, o que alguns funcionários confirmam nessa reportagem do UOL, intimidados e assustados por ver o chefe sempre com uma Taurus 9mm na cintura falar com eles aos berros e palavrões.

Vai ver o ex- galã de “Malhação” está ensaiando, às escondidas, o papel de Herman Goering, o número 2 de Hitler, a quem é atribuída a máxima “quando ouço falar em Cultura, saco logo meu revólver”.

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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.