Quanto maior a quarentena, mais tempo vai durar a epidemia

"Se a epidemia só acaba quando contamina 70% da população e a quarentena evita que a contaminação seja veloz, quanto maior a duração da quarentena, maior será a duração da epidemia", escreve o jornalista Alex Solnik

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia 

Já que há consenso científico acerca do fato de que uma epidemia somente termina ao chegar ao pico, atingido quando 70% da população da cidade está contaminada, conclui-se que o que determina seu final não é a obediência ou extensão da quarentena, mas a velocidade da contaminação.

Exemplo histórico: a gripe espanhola manifestou-se, no Rio de Janeiro, em setembro de 1918, chegou ao pico em outubro, em novembro declinou e em dezembro não se falava mais dela; a essa altura, 700 mil dos 900 mil cariocas tinham sido contaminados.

Essa pandemia muito parecida com a atual – mas que não teve quarentena, nem máscaras, nem álcool-gel - durou apenas três meses no Rio de Janeiro porque a contaminação também foi veloz. E matou, embora os números não sejam muito confiáveis, algo entre 15 mil e 25 mil pessoas.

A quarentena protege da contaminação, é óbvio, mas tem o seguinte: quando as pessoas que estavam confinadas forem às ruas, no final da quarentena, muitas delas vão pegar o vírus.

Ou seja: a quarentena resolve o problema dos hospitais, evitando superlotação, e dos doentes, que conseguem atendimento e escapam da morte, mas não resolve o problema da epidemia em si, apenas adia.

É isso que explica a tão temida ”segunda onda” da covid-19: é formada por aqueles que ficaram em quarentena e agora saíram de casa, pois enquanto a contaminação não chega aos 70% o vírus continua ativo, com ou sem quarentena.

Conclusão: se a epidemia só acaba quando contamina 70% da população e a quarentena evita que a contaminação seja veloz, quanto maior a duração da quarentena, maior será a duração da epidemia.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como:

• Cartão de crédito na plataforma Vindi: acesse este link

• Boleto ou transferência bancária: enviar email para [email protected]

• Seja membro no Youtube: acesse este link

• Transferência pelo Paypal: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Patreon: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Catarse: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Apoia-se: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Vakinha: acesse este link

Inscreva-se também na TV 247, siga-nos no Twitter, no Facebook e no Instagram. Conheça também nossa livraria, receba a nossa newsletter e ative o sininho vermelho para as notificações.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247