Que país é esse onde sua juventude pensa em abandoná-lo?

Esse sentimento de desolação é fruto também de uma construção ideológica, uma narrativa, de desvalorização do país, alinhada a um contexto de crise

Esse sentimento de desolação é fruto também de uma construção ideológica, uma narrativa, de desvalorização do país, alinhada a um contexto de crise
Esse sentimento de desolação é fruto também de uma construção ideológica, uma narrativa, de desvalorização do país, alinhada a um contexto de crise (Foto: Alencar Santana Braga)

Uma pesquisa do Datafolha, divulgada neste final de semana, mostra o quanto a juventude perdeu a esperança não só no país mas também na possibilidade de construir um futuro em solo brasileiro: 62% dos jovens brasileiros disseram querer sair do Brasil.

Uma análise mais apurada dos números pode nos ajudar a entender os motivos.

Em primeiro, a educação, tida por praticamente todas as pessoas como o caminho para uma vida com mais conforto e prosperidade, sofreu inúmeros golpes nos últimos anos, com redução sistemática de recursos para programas como o Fies (que passou a ser feito pelos bancos privados, com mais exigências, excluindo jovens pobres por falta de fiador), o Prouni, Pronatec e Ciência sem Fronteiras, este último programa desapareceu, sem falar na retirada de mais de R$ 3,4 bi das universidades federais e a redução, pela primeira vez na história, de verbas para o Fundeb, que financia a educação básica.

Áreas de interesse dos jovens, como a cultura e o esporte, também foram duramente afetadas: somente em 2017, 43% das verbas destinadas à cultura foram contingenciadas e a rede de pontos de cultura literalmente definhou enquanto no esporte, programas como o Bolsa Atleta e até a destinação de parte dos recursos provenientes do lucro com as loterias, historicamente utilizados para financiar o esporte de alto rendimento, sofreram redução.

Outro fator, a violência, também pode estar contribuindo pra esse sentimento, crescente entre os jovens, de não mais pertencer a uma nação. O país está entre os mais perigosos do mundo e a mortalidade por violência no país é até 30 vezes maior do que nos países da União Europeia (Atlas da Violência 2018), sendo os jovens as maiores vítimas de homicídios. Além disso, crimes como roubos e estupros também afetam essa população.

Esse sentimento de desolação é fruto também de uma construção ideológica, uma narrativa, de desvalorização do país, alinhada a um contexto de crise, desemprego, serviços ruins, educação precária e falta de perspectivas para a democracia e para o futuro.

É preciso dar uma guinada no país, reconstruindo nosso senso de solidariedade e de nação, gerar empregos e ampliar o acesso aos direitos fundamentais. Caso contrário, continuaremos perdendo nossos jovens para as estatísticas e para o mundo.

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