Que país queremos no futuro? qual nossa “visão de futuro”?
Qual é a estratégia? como concebê-la? com quem se conta para implantá-la?
Qual é a estratégia? como concebê-la? com quem se conta para implantá-la?
como comunicá-la? quais ações empreender? qual sua viabilidade? quais resultados alcançar? qual será a efetividade do que se quer construir nos próximos 4 anos, com reflexos para as décadas posteriores?
Vamos começar com mais indagações ainda: como a grande Frente Ampla Progressista vai se apresentar nas eleições que estão chegando? Como se diferenciar do que proporá a oposição de extrema direita? Como chamar e trazer a juventude, que são os protagonistas do Brasil, logo ali, no ciclo do tempo?
Chegam-nos notícias de que o presidente Lula formula um plano estratégico fundamentado no tema da soberania nacional como uma plataforma da próxima eleição presidencial. Esse plano tem participantes do alto escalão de ministros da Esplanada e data para ficar pronto — agosto deste ano. É uma ótima notícia. Diz-se, também, que o presidente não quer repetir as fórmulas de suas gestões anteriores, centradas tão somente nos aspectos sociais, mas obter uma abrangência maior em infraestrutura, sob o guarda-chuva do tema da soberania nacional.
Noutro dia, em uma entrevista, a ministra do Planejamento comentou que se encontra em elaboração um plano de longo prazo para o Brasil a ser apresentado em breve. Uma outra alvissareira notícia.
As perguntas do título deste artigo são muitas. Elas sintetizam as principais perguntas que são feitas por um processo de planejamento, quais sejam: (i) explicação da realidade da situação no tempo 0, quer dizer, no momento inicial do processo; (ii) projeção de visão do futuro que se quer alcançar no horizonte de tempo pré-acordado; (iii) feitura do plano estratégico, com ações que deem conta de resultados projetados na temporalidade, identificando beneficiários das ações; (iv) análise da viabilidade econômica, política e social do plano: análise estratégica da governabilidade, da capacidade de governo — previsão da adesão estratégica de quem apoia e daqueles que farão oposição; construção da estratégia da viabilidade geral; (v) implantação do plano: construção do arcabouço tecnopolítico e burocrático — governança e gerenciamento das ações, painel de monitoramento do processo, cronogramas, produtos, resultados, análise de efetividade das ações.
Hélio B. Costa, 78, bacharel em Ciências Econômicas (Escola Superior de Economia de Praga, Rep. Tcheca), mestre em Planejamento Econômico (Universidade de Estado em Antuérpia, Bélgica), doutor em Ciências (USP, SP). Pesquisador em estudos socioeconômicos, foi professor universitário, consultor de políticas públicas e planejamento; ocupou cargos de direção no setor público e na academia.
O Brasil tem uma rica experiência de processos de planejamento público. De Getúlio (planos setoriais) a JK (Plano de Metas), passando pelo período da ditadura cívico-militar (os PND) e, também, no período mais recente após a redemocratização (FHC), governos Lula e Dilma (os PAC). Em geral, são programas de gestões de governo, portanto, considerados planos de curto e médio prazos. No pós-Constituição de 1988, tornou-se obrigatório os PPA — Planos Plurianuais — elaborados pelo Executivo Federal e pelos Estados, considerados planos de médio prazo.
E cadê o plano de longo prazo? Temos a oportunidade de pensar agora em um plano de longo prazo para o país, um plano que fomente a discussão do povo brasileiro em torno da pergunta: qual país queremos, daqui a 10, 15 ou 20 anos? Já se disse, em algum lugar, que a nação que não tem projeto para si mesma será sempre um país seguidor, situação agravada por razoável atraso em relação aos outros mais adiantados e que se sujeitará a sofrer intervenções em sua soberania.
O exercício de planejamento não é um mero exercício de futurologia. É, basicamente, o pensar antes de agir para ter caminhos alternativos ou cenários que iluminem o caminhar de uma nação em busca de um futuro que possa romper com a inércia do curto prazo para se chegar a um país mais soberano. Quem toma o “timão” do navio para guiá-lo poderá mudar o curso de sua história.
O que se deseja, afinal, é termos uma nação mais igual entre os cidadãos, com mais saúde, com mais educação e com mais justiça para todos. É esta a oportunidade que se apresenta, ditada por várias circunstâncias que nos obrigam, nos empurram ou nos sugerem essa mudança. Deve-se ter ousadia na concepção dessa visão de futuro e na construção de seu plano de ação.
Tais circunstâncias são:
Do ponto de vista endógeno ao Brasil, teremos as próximas eleições presidenciais de 2026. As forças progressistas devem se diferenciar das propostas populistas e imediatistas de sua oposição política. Devem saber comunicar, em alto e bom som, aos cidadãos-eleitores qual país queremos ter em curto, médio e longo prazos, consubstanciados na visão de futuro do país. O componente sociopolítico é dar ao cidadão a esperança de que viverá em uma sociedade democrática, em pleno Estado de Direito, com mais igualdade e acesso a políticas de saúde, educação e justiça.
Do ponto de vista externo, um novo desenho geopolítico mundial se apresenta nesses tempos em ebulição. Daí a necessidade de o plano ser centrado no mote da soberania nacional, desdobrando-se para os demais candentes temas da questão brasileira hoje.
Esta visão de futuro do Brasil deverá ser construída pela coordenação da campanha eleitoral do presidente Lula e levada ao debate público com os brasileiros. A equipe de publicidade e de marqueteiros da eleição há de saber traduzir, para uma compreensão ampla dos eleitores, as grandes metas — poucas, é claro — desmembradas em ações de curto, médio e longo prazos.
É o convite para a busca de um consenso e a construção de uma maioria que, na sociedade, “compre” a ideia de transformação social, política e econômica do país. É a perseguição permanente de uma visão para que nossa sociedade atinja um nível de qualidade e bem-estar social, com uma visão de desenvolvimento para todos.
Uma última observação: Lula, no seu quarto mandato, deve “ousar” ser ousado para levar o toque de esperança de um futuro melhor para a nação. Após seus três mandatos, craque em política como é, saberá construir a governabilidade para tanto.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
