Queiroga e o juramento do hipócrita

Jornalista Eric Nepomuceno resume a atuação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. "Até agora foram puras palavras ao vento, pois a prática continua a mesma, já que Jair Messias tem uma assessoria pessoal, cuja missão é contribuir para que ele continue cumprindo sua tarefa de Genocida", afirma

Marcelo Queiroga
Marcelo Queiroga (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

Marcelo Queiroga, nascido em 1965 em João Pessoa, é médico cardiologista. Aliás, até virar ministro no dia 15 de março, presidiu a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Isso indica que, além de seus méritos como médico, é um bom articulador político no setor.    

Substituiu à frente do ministério da Saúde a aberração ambulante que atende pelo nome de Eduardo Pazuello e é general da ativa do Exército brasileiro. Se com sua chegada à poltrona ministerial alguma coisa mudou no cenário trágico que enfrentamos, foi o discurso.  

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Porém, até agora foram puras palavras ao vento, pois a prática continua a mesma, já que Jair Messias tem uma assessoria pessoal, integrada por energúmenos, idiotas e curandeiros ralés, criminosos todos, cuja missão é contribuir para que ele continue cumprindo sua tarefa de Genocida.

Queiroga estreou anunciando um comitê de coordenação nacional de combate à pandemia, que não passou de engodo. Depois anunciou que estavam em estudos medidas drásticas e urgentes, que nunca saíram do papel. Foi à CPI do Genocídio e deu voltas e reviravoltas para escapar das perguntas concretas e objetivas dirigidas a ele.

Enfim: passados mais de dois meses da sua chegada ao governo de Jair Messias, tudo que demonstrou foi um talento bastante razoável na arte da enrolação. Mas agora, parece ter encontrado o caminho.

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Nesta segunda-feira, 24 de maio, Marcelo Queiroga participou, de maneira virtual, da principal reunião anual da Organização Mundial da Saúde, a OMS. Tratou-se da assembleia mundial da entidade, que ocorre no momento em que o mundo inteiro volta as atenções, além do que ocorre dentro de cada país – para o bem e para o mal –, para a ameaça mundial que se chama o Brasil de Jair Messias.

E o que fez o doutor Queiroga? Exagerou no seu domínio da arte da enrolação, e mentiu descaradamente.

Com firme serenidade, ele assegurou que o Brasil recebeu até agora 90 milhões de doses de vacina e imunizou 55 milhões de pessoas.

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Na verdade, foram vacinados muito menos brasileiros: 41 milhões receberam a primeira dose. E só vinte e poucos milhões, a segunda. É esse o número que vale: vinte e poucos milhões. Não chega nem à metade do que disse o ministro Marcelo Queiroga.

Além disso, ele assegurou que o governo de Jair Messias faz a firme recomendação de medidas de distanciamento social, isolamento e o uso fundamental de máscaras.

Será que ele não sabe que tudo que Jair Messias faz tem imediata – e totalmente negativa – repercussão mundo afora? Será possível que ele não tenha visto, ou pelo menos ouvido falar, o que aconteceu no Rio de Janeiro no domingo, um dia antes de seu discurso na OMS?

O vestígio ínfimo de credibilidade que restou ao Brasil é corroído um pouco mais com declarações como as de Queiroga.  

Que, vale repetir, é médico. Fui dar uma espiada no Juramento de Hipócrates, que todo médico faz ao ser diplomado.

É de uma solenidade olímpica e de uma clareza absoluta. Começa assim: “Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue”. E o que vem a seguir é um veemente compromisso com a vida humana.

Evidentemente, Marcelo Queiroga cometeu um drástico engano de leitura e compreensão do que jurou.

Ele achou que o juramento dava a ele o direito de ser hipócrita e praticar a hipocrisia. Nada mais próprio, aliás, de quem aceita integrar o pior governo da nossa história.

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