Quem com tortura fere...
A passagem do tempo expõe a dimensão da irresponsabilidade golpista e o rastro de destruição moral, institucional e humana deixado por seus protagonistas
Com a aproximação do terceiro ano da tentativa de golpe de Estado, depois dos indiciamentos, julgamentos e condenações, as coisas vão ficando mais claras, como nos dias após a passagem de um furacão devastador, quando podemos perceber o impacto da destruição.
Carreiras, cargos, prestígios, relacionamentos, todos atingidos pela insanidade cívica de um grupo liderado por um incapaz, incompetente, inábil, inepto, ignorante, estúpido e outros adjetivos determinantes para descrever o pior de um ser humano.
Por compactuarem com o golpismo, o furacão destruiu: um deputado federal, no exercício do mandato, e diretor da Abin; um almirante de esquadra e ex-comandante da Marinha; um ex-ministro da Justiça e secretário de Segurança do Distrito Federal; um general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; um tenente-coronel e ex-ajudante de ordens; um ex-ministro da Defesa e general da reserva; um ex-ministro da Casa Civil; um ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça; um ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência; um ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência; uma ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça; um ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal etc.
Além desses, ainda há os denominados “bagrinhos”, golpistas de diferentes classes sociais que invadiram e destruíram os prédios dos Três Poderes.
Nos comentários populares de que participo, a regra é comentar sobre o absurdo da participação de pessoas “bem-posicionadas”, com situação financeira estabelecida, anos de serviço público prestados, aceitarem participar de uma trama dessa natureza, liderada por alguém de reputação tóxica e nociva.
O líder da facção criminosa está preso na Superintendência da PF, onde cumprirá pena de 27 anos e 3 meses (sem as progressões, remições e condicionais). Sua defesa tenta a mudança para o regime domiciliar, principalmente após as cirurgias a que o presidiário foi submetido, porém os médicos não parecem dispostos a colaborar, e o criminoso voltou para a cadeia após alta médica.
A despeito de todas as articulações golpistas terem sido irrefutavelmente comprovadas e tornadas públicas, lidamos com um enorme contingente de apoiadores do líder da facção criminosa que, para seus filhos, está sofrendo um processo de tortura. É a ironia, estúpido!
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

