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Marcia Tiburi

Professora de Filosofia, escritora, artista visual

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Quem matou Jéssica Canedo?

"A misoginia é uma mercadoria que, junto à internet, constitui uma bomba", escreve Marcia Tiburi

Logo do perfil @choquei e a jovem Jéssica Canedo (Foto: Reprodução)
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Precisamos falar sobre o suicídio de Jéssica Canedo que, aos 22 anos, tirou a própria vida depois de dias sendo vítima de uma “Fake News” que, segundo consta, foi produzida por um site chamado Choquei.

A página e seus agentes precisam ser responsabilizados, contudo diante da inexistência de regulamentação das plataformas digitais não será fácil. Além da mentira, a misoginia monetizada rende muito dinheiro para sites desde a época do golpe contra Dilma Rousseff quando o CEO do Google avisou que os discursos mais rentáveis implicavam ataques à presidenta. Ou seja, quem quisesse lucrar, devia atacar. 

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O problema tem raízes profundas. A internet se tornou terra de ninguém onde a desinformação é mercadoria consumida diariamente pelas massas assediadas por conteúdos sofríveis, mas que constituem o grande apelo da lógica publicitária que rege o mundo atual. A misoginia é uma mercadoria que, junto à internet, constitui uma bomba. 

Uma mulher que tenha sido vítima de misoginia não tem como se defender legalmente, pois a misoginia não é criminalizada. 

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Whindersson Nunes foi envolvido em algo hediondo. Ele também paga um preço alto - embora deva ganhar muito dinheiro - por ter virado fenômeno comercial nas redes sociais. Mas ele mesmo reconheceu que sempre é pior para as mulheres. E foi pior, foi muito pior, foi insuportável para Jéssica. Sofrendo de depressão, acabou não suportando o que fizeram contra ela. 

Ninguém tem o direito de brincar com a vida dos outros, nem de lucrar com mentiras, do mesmo modo que ninguém tem a obrigação de aguentar. E, sendo isso verdade, esse tipo de processo de difamação (na indústria da desinformação) e Fake News que rende tanto dinheiro para quem não tem escrúpulos, destrói a vida de pessoas inocentes. 

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Jéssica foi levada ao suicídio como muitos podem ainda ser levados a ele. 

Contudo, essa tragédia não teria ocorrido se empresas de mídia - e pessoas que se alimentam de fofoca - não ganhassem algo com isso. Aqueles que ocupam o lugar de manipuladores na cadeira da desinformação, ganham dinheiro e poder enquanto os que ocupam o lugar de manipulados do sistema sentem, quando muito, preencher o vazio existencial com fofoca, conteúdo sempre questionável. 

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Jéssica foi vítima da indústria da fofoca na era da internet, de quem criou a mentira, de cada site, de cada perfil que se aproveitou por dinheiro ou mero godo, e de cada pessoa física que a xingou, que deu seu like na mentira, que passou adiante a informação sem verificar se ela fazia sentido, e mesmo que fizesse. O gozo perverso-economico do processo levou uma jovem à morte por suicídio e isso é simplesmente imperdoável. 

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