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Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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Quem ocupará o vácuo de liderança hidrófoba

Com a ausência de Bolsonaro na cédula eleitoral, abrem-se espaços para candidaturas que se apresentem como uma direita em tese menos polarizadora

Jair Bolsonaro (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
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Após sofrer duas derrotas cruciais nas eleições de 2022 e em uma tentativa posterior de golpe, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem uma montanha de processos e dificuldades: terá condições de manter sua força sem concorrer nas próximas eleições presidenciais em 2026?

A derrota nas eleições passadas foi o resultado do evidente rechaço dos eleitores aos quatro primeiros anos de seu mandato. Bolsonaro teve a oportunidade e os recursos para governar, mas falhou de forma inédita. Fracassos como esses deixam uma marca de perdedor, difícil de ser superada.

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Com a ausência de Bolsonaro na cédula eleitoral, abrem-se espaços para candidaturas que se apresentem como uma direita em tese menos polarizadora, em contraste com o estilo controverso e desumano característico do ex-presidente. Quais serão as chances eleitorais futuras e as possíveis candidaturas que poderão preencher o vazio de liderança deixado pela cassação de Bolsonaro?

Pode surgir uma candidatura da família, especialmente de Michele, mas seu caráter seria diferente. Mesmo uma liderança bolsonarista de massa não teria mais o mesmo impacto e novidade da original.

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Os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de Minas Gerais, Romeu Zema, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, surgem como competidores naturais para tentar preencher esse vazio de liderança. No entanto, até o momento, quase seis meses após a posse, nenhum deles apresentou realizações marcantes ou a capacidade de mobilizar paixões e seguidores da mesma forma que Bolsonaro.

Tarcísio exerce um mandato sonolento. Leite segue o mesmo caminho. Zema ganhou manchetes por discriminar nordestinos e demonstrar desconhecimento sobre Adélia Prado.

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Diversas questões surgem, embora ainda seja cedo para arriscar respostas definitivas. Será que o contexto das próximas eleições repetirá o dos pleitos de 2018 e 2022? Qual será o paradigma? É certo que um candidato petista estará na disputa, como tem sido o caso há décadas. E mais?

Comparado a 2014, 2018 e 2022, houve mudanças relevantes. A Operação Lava-Jato, por exemplo, sofreu um desgaste avassalador e teve suas intenções criminosas expostas. A mídia de direita foi forçada a se afastar, e o Judiciário teve que reavaliar suas próprias ações.

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Mesmo os militares adotaram uma postura mais cautelosa, se distanciando do bolsonarismo radical. O experimento bolsonarista fracassou, e sua tentativa de minar as instituições democráticas e sua rejeição às eleições deixaram marcas.

Bolsonaro está condenado pelas elites oligárquicas por não ter conseguido entregar a elas a vitória e, pior ainda, por ter permitido a vitória de seu inimigo, Lula.

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É evidente que tudo pode mudar ao longo do tempo, mas esses fatores terão peso. Em um contexto diferente, sem as condições que o levaram a ser eleito em 2018, o movimento que elegeu Bolsonaro encontrará motivação para recuperar a influência que já teve?

É mais provável que os sentimentos atuais de derrota se acentuem não apenas entre a cúpula, mas também entre as fileiras do bolsonarismo, causando desânimo e a busca por respostas.

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O futuro dependerá, é claro, do desempenho do governo Lula. Os sinais iniciais inspiram um otimismo cauteloso. A queda nos preços dos combustíveis, a deflação nos alimentos, a queda do dólar além do esperado e os sinais de crescimento econômico levam os analistas a reverter previsões, que agora são embaladas em otimismo.

A aprovação de leis importantes, como o arcabouço fiscal e a PEC dos ministérios, sugere uma rota menos instável do que se esperava. O governo parece ter encontrado uma forma de trabalhar pontualmente com um Congresso adverso.

Esse cenário leva o presidente Lula a se apressar em reafirmar que pode viver até os 120 anos, numa exibição de vigor cheia de motivações eleitorais.

Apesar da rejeição que ainda existe em relação ao seu nome e ao PT, o que não pode ser subestimado, será o desempenho de Lula que determinará as chances de um retorno bem-sucedido da extrema-direita, agora disfarçada sob uma abordagem mais "técnica".

Também depende de Lula saber se a centro-direita será capaz de sair do isolamento em que se encontra desde 2014, quando já apostava em elementos de um bolsonarismo "avant la lettre". Dentro da coalizão governista, Lula é um irmão siamês de Fernando Haddad. Se conseguir destravar a economia, Haddad pode tanto impulsionar um quarto mandato de Lula como fortalecer suas próprias chances.

A alternativa que emerge com mais evidência é o ministro da Justiça Flávio Dino, do PSB, que conta com apoio digital significativo e entusiasmo mesmo entre setores da base petista. Também dentro da frente governista, nomes como Geraldo Alckmin e Simone Tebet surgem como possíveis candidatos, aguardando a ocasião correta para lançarem suas próprias candidaturas. Essas considerações são importantes para entender a influência que eles têm não apenas no jogo político futuro, mas também no atual.

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