Quem vai dar o próximo tiro em Marielle?

A cada comentário desrespeitoso e desumano, que vejo ser compartilhado nas redes sociais ou verbalizado pelos cantos mais sombrios que a irracionalidade humana pode frequentar, entristeço-me com o conteúdo que muitos daqueles que se apresentam como "cidadãos de bem"

A repercussão da morte da vereadora Marielle Franco, assassinada brutalmente no Rio de Janeiro, veio a elucidar qualquer tipo de dúvida que eu pudesse ter, sobre a extrema direita política nacional e seus simpatizantes. São assassinos ideológicos, que usam da dor física e do sofrimento de seus "adversários", para se regozijarem, e, assim, justificarem a sua estupidez e a sua maldade. 

A cada comentário desrespeitoso e desumano, que vejo ser compartilhado nas redes sociais ou verbalizado pelos cantos mais sombrios que a irracionalidade humana pode frequentar, entristeço-me com o conteúdo que muitos daqueles que se apresentam como "cidadãos de bem", estão tirando de dentro de suas garrafas e despejando sem nenhum pudor ou remorso, sobre o corpo e sobre a honra de Marielle Franco. 

Tais absurdos, se oriunda dos mais diversos seguimentos da sociedade, mostrando que a falta de escrúpulos é plural. Não escolhe cor, classe social, gênero, cargo ou preferência clubística.  Atrás desse trio elétrico de horrores - que agita uma multidão de mortos vivos irresponsáveis, executando cânticos de guerra, como se fosse a mais inocente das marchinhas de carnaval - vão, desde o Ator mais canastrão, até a mais inconsequente das Desembargadoras. Só não vai, quem tem bom caráter e ainda não perdeu o senso de humanidade. 

Mas, no meio desse desfile de inverdades e impropérios, contra a honra de Marielle Franco, um silêncio, frio, indiferente e calculista, chama a atenção. Ele representa mais um tiro dado na Vereadora e partiu do idealismo de quem usa o ódio, a intolerância e a vingança para fazer justiça. Só mesmo um mito, conseguiria se resignar diante de um crime tão brutal. As armas continuam sendo engatilhadas. Quem não pôde alvejar o carro em que Marielle estava, escolheu a sua dignidade com alvo e tenta abatê-la a todo custo.

Uma legião de Serial Killers existenciais, se uniram e estão concentrados num campo ideológico fascista, armados de argumentos facilmente refutáveis e sob o comando diabólico de suas próprias mentes, para promoverem o genocídio da razão e do próprio bom senso. Torna-se impossível, não combatê-los. É imprescindível desconstruí-los. É urgente denunciá-los. O mal só faz barulho, quando o bem fica em silêncio. Quantos tiros mais, ainda serão dados em Marielle? 

No momento em que o mundo todo, repudia tal barbárie, o nosso próprio povo tenta justificar a tragédia, das mais bizarras maneiras possíveis. Ela era ex mulher de traficante. Ela era mãe solteira. Ela era lésbica. Ela era preta. Ela era favelada. Ela defendia bandido. Ela era maconheira. Ela era dos direitos humanos. Ela era contra a intervenção. Curiosamente, algumas dessas colocações - algumas mentirosas - apenas ratificam as tipificações de preconceitos existentes em nossa sociedade. 

A mulher, a negra, a lésbica, a mãe solteira, a favelada, personagens historicamente relegados ao núcleo menos significativo, da nossa novela da vida real. Geralmente, não costumam ter um final feliz no último capítulo da trama. E quando se atrevem a interpretar o papel de mocinhas na trama, enfrentam a rejeição de boa parte do exigente público, já acostumado a mesmice das heroínas brancas, ricas e fúteis, mas, que mantêm a tradição e possuem o carismático estereótipo ideal para alcançarem o sucesso. Essas, nunca serão executadas impiedosamente, nem pelos críticos, nem pelos cidadãos de bem, nem pelos inimigos.

Oremos!

Meu senhor, por favor! 
Nunca me chame de cidadão de bem. 
Eu não comemoro a morte de ninguém. 
Eu não subestimo o luto de alguém.
Eu não me regozijo com a sua dor.

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