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Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

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'Rainha' do xadrez de Bolsonaro, Aras atacou e defendeu por seu rei

“Poucas rainhas foram tão fiéis a um rei”, destaca Florestan Fernandes Jr.

Jair Bolsonaro e Augusto Aras (Foto: Isac Nóbrega/PR)
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Em 3 de setembro de 2019, durante uma fala no Palácio do Planalto, Bolsonaro comparou seu governo a um jogo de xadrez.

O então presidente fez questão de nominar quem representaria cada peça no tabuleiro. Ele, o presidente, lógico, seria o rei; o ministro Paulo Guedes, seria um dos cavalos; Sergio Moro, a Torre. Os outros ministros, simples peões, preparados para o sacrifício no decorrer do jogo. E pasmem, ladeando o rei do clã Bolsonaro, a sua majestade, na estratégia enxadrista do “Mito”, a rainha seria o Procurador Geral da República. Como sabemos, a rainha é a peça fundamental no xadrez, a mais poderosa. Pode se movimentar para todos os lados do tabuleiro, avançando e recuando várias casas, tanto no ataque, como na defesa de seu rei. Dois dias após esclarecer suas peças no xadrez da sustentação do seu poder, Bolsonaro anunciou o nome de sua rainha: Augusto Aras. Vejam só a importância que Bolsonaro dava a Augusto Aras.

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E o PGR não decepcionou seu rei, foi até o fim, numa luta renhida para defendê-lo. Mas pouco pode fazer depois da derrota fragorosa da tentativa desesperada de Bolsonaro continuar no jogo, primeiro nas urnas, depois através de um golpe mal-sucedido.

Rei morto, rei posto. No próximo dia 26 de setembro, Augusto, nome romano que significa “o máximo” ou “o divino”, vai sair do jogo, deixando seu rei cambaleante no tabuleiro, realizando dois ou três movimentos antes da queda inevitável.

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A rainha sai de cena, deixando uma atuação que ficará para a história da PGR. Poucas rainhas foram tão fiéis a um rei. Desde sua posse, Aras brecou 74 pedidos de investigação contra Bolsonaro. Em uma única vez Aras foi favorável à abertura de inquérito contra o presidente: a investigação de possível prevaricação de Bolsonaro nas negociações para a compra da vacina Covaxin. Mas essa independência não durou muito. Assim que o inquérito foi aberto, a PGR correu a se manifestar pelo arquivamento. Em sua defesa, Aras sempre afirmou que sua atuação foi técnica. Será?

Em 95% dos 184 processos em trâmite no STF, que tinham Bolsonaro e sua família como alvos, as manifestações do procurador-geral foram favoráveis ao clã, seja defendendo ou referendando arquivamentos.

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Em outras 32 ações, a PGR aceitou decisões favoráveis à família Bolsonaro, sem recorrer.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, ainda se manifestou contrário às ações no Supremo Tribunal Federal que questionavam a graça concedida por Jair Bolsonaro ao deputado federal Daniel Silveira, que em abril do ano passado foi condenado pelo STF a oito anos e nove meses de prisão por haver atacado os ministros da Corte.

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Agora, ao se preparar para deixar o campo de batalha, a rainha do ex-presidente fez seu último movimento de socorro e preservação de seu rei: o posicionamento contrário à homologação da delação premiada de Mauro Cid. Algo que não nos surpreende e que aponta para o profundo desespero do entorno bolsonarista, ao qual o próprio Aras pertence, diante da perspectiva de terem expostos aos olhos e ao juízo de todos – também e principalmente da justiça, pela multidão de seus desmandos.

Nos próximos dias, o presidente Lula irá indicar o nome do novo procurador geral da República. Os nomes mais cotados são os do Paulo Gustavo Gonet Branco, Mario Luiz Bonsaglia e Antonio Carlos Bigonha. Os arranjos enxadristas antidemocráticos, ficaram com Bolsonaro. Para o atual presidente, a escolha do novo PGR será feita “com mais critério”. Para Lula, o cargo deve ser ocupado por “alguém que goste do Brasil, alguém que não faça denúncia falsa”. Já é um bom começo para a volta da normalidade democrática.

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