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André Barroso

Artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB. Trabalhou nos jornais O Fluminense, Diário da tarde (MG), Jornal do Sol (BA), O Dia, Jornal do Brasil, Extra e Diário Lance; além do semanário pasquim e colaboração com a Folha de São Paulo e Correio Braziliense. 18h50 pronto

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Ramagem. De fuga a pataquada nos EUA

Ex-diretor da Abin condenado pelo STF foge para os EUA, vive em mansão, enfrenta suspeitas financeiras e pode disputar extradição ou asilo político

Alexandre Ramagem (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados )

Alexandre Ramagem foi condenado em setembro de 2025 pelo STF a mais de 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada, uso ilegal da ABIN, assim como diversos atos de oito de janeiro. Preferiu uma fuga antes da decisão final, quando deixou o Brasil por Roraima, cruzando a fronteira pelo município de Bonfim em direção à Guiana e, de lá, para os Estados Unidos. Por lá, mesmo foragido e procurado pela Interpol, recebia os soldos da Câmara dos Deputados, porém morava em uma mansão de cinco quartos e vista para um lago. A casa é avaliada em US$ 899 mil e ainda será investigado de onde teria dinheiro ou quem dava suporte a Ramagem nos EUA.

Devemos lembrar a mensagem que Ramagem postou a despeito de sua fuga. Ele, em sua apresentação, afirma que está em segurança nos Estados Unidos. A rota de fuga de muitos bolsonaristas foi a Argentina e os Estados Unidos. Zambelli foi a exceção, gabando-se e tripudiando de fugir para a Itália, e está sendo deportada. Entre os bolsonaristas fujões estão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado em dezembro de 2025, que faltou ao interrogatório marcado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF; Allan dos Santos, o influenciador da extrema direita; além de Raquel de Souza Lopes, Rosana Marciel Gomes, Michele Paiva Alves e Cristiane da Silva, que foram presas no Texas tentando asilo político.

Ele fala do ministro Alexandre de Moraes como violador declarado dos direitos humanos, sancionado mundialmente. Bolsonaro chamou direitos humanos de "esterco da vagabundagem" em 2017, mas, quando esteve preso, sempre apelou a esses direitos, ou seja, direitos humanos para mim; para os outros, nenhum direito. E a Lei Magnitsky, que sancionava o ministro e sua esposa, foi revogada pelo próprio governo americano, mesmo com Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro trabalhando por sanções ao Brasil.

Ramagem desafia o envio do governo por uma extradição pela ação do golpe, que diz ser nula do começo ao fim. A extradição do deputado é um procedimento técnico, com mais de 2 mil páginas, e terá uma decisão final de cunho político, pois cabe ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, da mesma linha ideológica de Bolsonaro. Ele cita sua tranquilidade em estar na maior nação livre e democrática do mundo. Existe chance de um asilo político? Sim. Porém, o Orange County trata de problemas com as leis do país, e o ICE entra com a deportação e outras situações do ex-deputado, que ainda não foram divulgadas.

Ele afirma que não está foragido, mas trabalhando pelo Brasil; porém, seu passaporte indica que está ilegalmente no país. Ele foi pego pelo Orange County comprando um carro utilizando seu passaporte vencido. O responsável pela Abin foi preso como imigrante ilegal, fazendo uma pataquada. Milicianos fazem o mesmo. Dentre várias estratégias, uma delas é comprar carros utilizando dinheiro vivo, com documentos falsos. O suco bolsonarista.

Os bolsonaristas não conseguem nem fazer uma fuga direito. Além de vociferar contra as instituições republicanas e dizer que são perseguidos, fazem trapalhadas que, a todo momento, só implicam suas condições, tanto morais quanto de abuso à democracia. Quem foge aos Estados Unidos no momento de caça às bruxas por imigrantes ilegais? Alguém que acha que sua impunidade pode dar certo.

A luta será para dar asilo, pelo tapetão, a Ramagem pela ala da extrema direita, que tem dado suporte ao ex-deputado, diferente do tratamento com Zambelli. Em conseguindo, vão tentar colocar a situação para baixo do tapete com a imprensa. No sentido oriental, varrer para debaixo do tapete não é um recurso de economia doméstica; é uma prática que significa esconder o que não convém ao sultanato.

O espírito de bazar baixou nessa história.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.