Reclamar no Facebook adianta?

Antes de qualquer consideração, deve-se buscar compreender o que realmente é e qual o papel de uma rede social

"Com o advento das redes sociais" talvez seja a expressão introdutória de parágrafos com um dos mais altos índices de frequência em textos de natureza diversa, principalmente jornalísticos. Isso ocorre, pois não há como escapar da influência exercida por Facebook, Twitter e afins no cotidiano da sociedade. Entretanto, algumas pessoas parecem ignorar a relevância do que realmente ocorre nesses suportes de informação e buscam diminuir a extensão da influência das redes no comportamento social. Assim, tem proliferado – intencionalmente ou não, cabe uma análise mais acurada – a premissa de que "reclamar no Facebook não adianta".

Antes de qualquer consideração, deve-se buscar compreender o que realmente é e qual o papel de uma rede social. Particularmente vejo cada página como uma espécie de revista, cujos editores são os próprios usuários. Sendo um suporte, comporta diferentes gêneros textuais, que vão de fotos na piscina de sua casa a textos literários de alta conta. É um espaço plural, que comporta opiniões mais progressistas, mais conservadoras e, muitas vezes até, preconceituosas, cabendo ao usuário filtrá-las como se editor fosse.

Chamou-me a atenção esta semana, todavia, a opinião de uma colunista diária sobre a inutilidade de uma reclamação em rede social. A jornalista tratava de um caso ocorrido em São Paulo em que uma senhora havia deixado seu filho no shopping para ir ao cinema com os filhos e, ao voltar, viu que ele havia sido expulso da sala de cinema. Ato contínuo, recorreu ao Facebook para manifestar a sua indignação.

Se a mãe estava certa ou errada, não cabe aqui discutir, pois não é esse o objetivo do texto. O que se questiona é a desconsideração de espaço tão importante como suporte de manifestação de ponto de vista. Entendo que a jornalista simplesmente ignora o que se passa por lá.

Nos últimos anos, várias empresas utilizam aquele canal como forma de aproximação com o cliente justamente por entenderem que é o espaço ideal para isso. Entidades como o Procon utilizam-se das redes para direcionar reclamações e orientar consumidores sobre atitudes a tomar em suas relações com os fornecedores de serviço; órgãos da própria mídia fazem dessas redes uma maneira adicional de compartilhar as informações, direcionando o público, a partir de suas páginas, a seus próprios sites. Enfim, são diversas as possibilidades.

Acredito, todavia, que a discussão não se tenha estabelecido por conta dessas formas de comunicação, mas simplesmente pelo fato de pessoas comuns usarem o espaço como muro das lamentações. Mas qual o problema que há nisso? Nenhum, na verdade. Antes, guardavam-se as frustrações; hoje, compartilham-se. E, ao fazer isso, pode-se não alcançar o alvo da reclamação, mas alcança-se, antes de tudo, solidariedade. Por isso, respondendo a pergunta inicial, adianta reclamar na redes sociais, sim. Se existe o espaço, que as pessoas interajam da forma como achem melhor.

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