Refletindo sobre a nova pesquisa do Datafolha

"Bolsonaro, na cara da justiça eleitoral, faz campanha ilegal impunemente 24 horas por dia", escreve Bepe Damasco

www.brasil247.com - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert | ABr)


1) O resultado da pesquisa presencial do Datafolha confirma a fragilidade metodológica de algumas sondagens feitas por telefone, que apresentam distância entre Lula e Bolsonaro bem menor do que a mostrada pelo Datafolha.

2) Em termos estritamente numéricos, tudo continua como dantes. Lula tem expressivos 17 pontos de vantagem sobre Bolsonaro, enquanto a terceira via parece ter empacado de vez, cada vez mais próxima da inviabilização política definitiva.

3) A pequena subida de Bolsonaro e a ligeira queda de Lula precisam ser contextualizadas no tempo. Os 43% a 26%,  no primeiro turno, e os 55% a 34% em favor de Lula no segundo turno, além de uma bela dianteira, revelam que Bolsonaro precisou de longos 4 meses, já que a última pesquisa do instituto foi divulgada em  dezembro do ano passado, para encurtar um pouquinho a distância para Lula. Se, por hipótese, esse ritmo de crescimento for mantido, ele ficará longe de alcançar Lula. Seria mais preocupante se a melhora de Bolsonaro tivesse como base de comparação, por exemplo, uma pesquisa feita no mês passado.

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4) O avanço de Bolsonaro entre a grande massa de eleitores de baixa renda (até dois salários mínimos) é um ponto que tem merecido um alarde desproporcional aos números capturados pela pesquisa. Lula recuou neste segmento, que representa 53%% do eleitorado do país, cinco pontos percentuais, passando de 56% para 51%. Mas Bolsonaro subiu apenas três pontos. Como o Datafolha informa que neste segmento a margem de erro é de três pontos percentuais, o crescimento de Bolsonaro se deu dentro da margem de erro – de 16% para 19% . A vantagem do ex-presidente Lula nessa camada decisiva para se vencer a eleição ainda é muito confortável.

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5) Se há um resultado alvissareiro para Bolsonaro nessa pesquisa, e que deve ser motivo de preocupação entre os setores progressistas, este é a queda nos índices de reprovação de seu governo, que caíram de 53% para 46%. Ou seja, uma variação fora da margem de erro e que aponta uma discreta mas importante recuperação de popularidade de um governo que derretia até há pouco tempo.

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6) É provável que o governo Bolsonaro esteja se beneficiando de uma série de fatores combinados, tais como: a sensação de alívio da sociedade com a diminuição consistente do número de casos e de mortos pela covid-19, conquistada graças, aliás, ao avanço da vacinação que Bolsonaro sabotou e ainda sabota. O sentimento de que a ameaça de morrer está sob controle gera otimismo; o Auxílio Brasil que começa a ser incorporado ao orçamento das pessoas; o adiantamento das duas parcelas do 13º dos aposentados e pensionistas do INSS e o saque de até R$ 1 mil do saldo do FGTS.

7) Fora tudo isso, ainda tem a farra proporcionada pelo orçamento secreto capitaneado por Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, que jorra dinheiro em prefeituras e governos aliados de Bolsonaro. Esse caso escandaloso de corrupção, naturalizado pelas instituições e pela imprensa, acaba trazendo retorno eleitoral.

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8) Bolsonaro, na cara da justiça eleitoral, faz campanha ilegal impunemente 24 horas por dia, seja dentro do Palácio do Planalto ou em viagens pelo país, à custa do erário.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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