Reflexão sobre o Dia dos Pais

"O pai americano de muitos filhos", escreve Hildegard Angel sobre seu pai, Norman Angel Jones

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(Foto: Reprodução)


Hildegard Angel, para o 247

Este, no círculo vermelho, é meu pai. Meu lindo pai. Meu discreto pai. Meu pai filósofo, que, desde nós três muito pequenos, nos ensinava que com as mais minúsculas ações podíamos mudar o mundo. Porém não empregou a filosofia em si próprio, pois realizou uma grandiosa ação, magnífica ação transformadora de seu mundo, pela qual sacrificou toda a vida.

Meu pai, magnífico pai, pai modesto, que jamais desejou glórias, reconhecimento, fortuna ou cargo e, com os ganhos pessoais suados, o salário, o resultado das vendas como representante comercial, embrenhando-se em sua caminhonete pelo interior do Brasil, comprou ou arrendou um sítio em Mathias Barbosa, Minas, instalou ali um orfanato para meninos, que chegaram a ser 50, deu-lhes casa, carinho, valores, educação, estudos e profissão, até a idade adulta. 

Algum tempo depois, batizou a obra social de "Instituto de Menores Elof Ericsson", nome do fundador da indústria sueca Facit, empresa que meu pai ajudou a implantar no país, em solenidade com presença do então presidente da Facit e filho de Elof, Gunnar Ericsson (na foto), em que formalizaram a parceria que permitiu aos meninos do orfanato formarem-se técnicos das máquinas de calcular e de escrever fabricadas pela empresa, no curso em oficina na Rua Halfeld, na cidade ao lado, Juiz de Fora, e quando chegassem à idade para tal, serem contratados. Dessa forma, estavam com seus empregos do futuro assegurados.

Nem todos seguiram a profissão. Há médicos, militares, comerciantes egressos do orfanato. Todos chamavam meu pai de "pai". "Pai Jones". O pai americano de muitos filhos. Nós três, os 50 do orfanato mais os seis de seus outros dois casamentos, com todos os naturais e confusos sentimentos envolvidos, somando tantas famílias, conquistas e faltas, ausências, dificuldades, tantos sonhos realizados e frustrados, explicações não explicadas. Viver fora do bê-a-bá da perfeição projetada é complicado.

Este é o aprendizado, olhando-se para trás e percebendo que uma grande ação transformadora tudo compensa, justifica e perdoa. Este foi o fabuloso legado de meu pai. ❤ 

hildegard-angel


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