Reforma da Previdência adotada ou abandonada já tem um derrotado: Emmanuel Macron

A mobilização contra a reforma previdenciária paralisa a França há mais de um mês e nesta quinta-feira, 9 de janeiro, todas as categorias sociais ocupam as ruas em todo o território nacional. Trata-se da mais longa greve que a França conhece há mais de trinta anos

Greve na França contra reforma da Previdência de Macron
Greve na França contra reforma da Previdência de Macron (Foto: Benoit Tessier/Reuters)

A mobilização contra a reforma previdenciária paralisa a França há mais de um mês e nesta quinta-feira, 9 de janeiro, todas as categorias sociais ocupam as ruas em todo o território nacional. Trata-se da mais longa greve que a França conhece há mais de trinta anos.

Segundo Philippe Martinez da central sindical CGT, "é com a greve que conseguimos sempre algo.  Vejam, nas últimas duas semanas, aprendemos todos os dias que o regime especial tão combatido hoje pelo governo será finalmente mantido". Neste fim de semana, os acordos aceitos pelo governo para pilotos, aeromoças, policiais, professores ou ferroviários já são uma primeira prova da utilidade dessa greve, acrescenta o número 1 da CGT.

O cientista político e historiador Nicolas Delalande, pesquisador do Centro Histórico de Ciências Políticas-Paris, em uma coluna no jornal Libération, escreve: “O episódio que estamos enfrentando mais uma vez demonstra que a greve é um momento privilegiado de apropriação política, o que leva a explicar, confrontar e refinar suas posições (...). O governo queria usar o relógio para enfraquecer a contestação, obscurecer as questões e diluir seus anúncios. Todavia, grevistas e manifestantes interrompem esse mecanismo de balizagem do tempo (o relógio) e tentam reverter o equilíbrio de poder recorrendo a uma greve renovável e durável. A greve, pelo contrário, causou uma condensação do tempo político, enquanto prolonga o tempo social".

A reforma proposta pelo governo Macron só tem aumentado a desconfiança dos franceses e em nada lhes tranquiliza. Longe de proteger todos os franceses, especialmente os mais frágeis, ao contrário, a reforma lhes angustia. Longe de unir todos os franceses em torno de uma evolução do pacto social, essa reforma os divide.  A maioria dos franceses expressa sua hostilidade. Até agora, os franceses não veem nenhum traço das garantias prometidas pela maioria parlamentar “macronista”.

Nada, absolutamente nada, obrigaria o governo Macron a se precipitar na elaboração de uma reforma tão confusa e injusta que atingirá um número considerável de vítimas. De todo modo, o risco político para o presidente Emmanuel Macron é imenso, seja a reforma adotada ... ou abandonada.

Quinta-feira, 9 de janeiro, 13:30: muitos franceses de todas as categorias sociais estarão mais uma vez presentes para participar de mais uma grande manifestação na Praça da República. A imprensa brasileira a serviço da cidadania política vem acompanhando este evento político que bem caracteriza a especificidade da cultura da resistência francesa.

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