Rejeição do Dia do EleNão mostra omissão do centro

O dia 29 de setembro de 2018 registrou as maiores manifestações feministas da história do Brasil em repúdio ao fascismo

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A rejeição pela Câmara Municipal de São Paulo ao Projeto de Lei que instituiria o Dia do EleNão no calendário da cidade, evidenciou não somente a polarização política, mas a omissão mais uma vez das forças de centro com a escalada fascista no Brasil. O painel registrou 24 votos contra 12 e 19 vereadores ausentes. 

É verdade que quando o movimento surgiu há dois anos nas redes sociais para organizar as gigantescas manifestações das mulheres em 29 de setembro, o EleNão evocava não apenas a figura do ex-capitão do exército candidato, mas o seu significado. 

Ainda não havia sido realizado o primeiro turno da eleição, mas as ameaças às liberdades democráticas pairavam no ar. Nas mídias sociais, o clima de ódio e os ataques aos direitos eram crescentes. O saudosismo dos anos de chumbo ressurgia com a falsa narrativa de que se viviam dias melhores.    

E o dia 29 de setembro de 2018 se tornou um marco na luta pela democracia e contra o fascismo. A data registrou as maiores manifestações feministas da história do Brasil em repúdio a atitudes preconceituosas, machistas, racistas, homofóbicas e contra a igualdade de gênero. 

Organizadas em redes sociais e na hashtag #EleNão 

milhares de mulheres tomaram as ruas em 26 cidades de 14 países. O #EleNão sensibilizou vozes anônimas e famosas pelo mundo como a cantora Madonna.

Além da defesa dos direitos humanos, tolerância política e o pluralismo ideológico, o movimento ainda abraçou como pauta o combate à violência contra as mulheres, fundamental na construção de uma sociedade mais justa. 

Segundo o Sistema de Notificação de Agravos de Situação (SNAS) a cada 4 minutos uma mulher sofre agressão no Brasil.  São dados assustadores. Eles mostram que estamos longe do respeito à igualdade de gênero. E conforme o Grupo Gay da Bahia, em 2018 uma LGBT foi assassinada a cada 20 horas.

A violência de gênero reforça o pensamento de que a política não é espaço para as mulheres e que em inúmeras situações não são bem-vindas. Em outras situações, a violência vai ao extremo. O assassinato da vereadora Marielle Franco expôs o grau de letalidade e misoginia contra as mulheres na política.  

Embora naquele 29 de setembro o protagonismo tivesse sido das mulheres, diferentes grupos ocuparam as ruas. Os protestos reuniram movimentos sociais, estudantes, artistas, sindicatos e militantes de partidos políticos, além de torcidas organizadas de clubes de futebol. Até mesmo evangélicos e “policiais contra o fascismo" marcaram presença.

Por isso, esse Projeto de Lei, de autoria do nosso mandato com os movimentos sociais, nasceu das ruas com foco na luta contra o fascismo, contra o ódio e a defesa da democracia hoje ameaçada.

A sua aprovação significaria uma forma simbólica de resistência ao fascismo e a tudo o que ele representa em termos de censura, perseguição e de repressão violenta como forma de resolução dos problemas sociais.

O PL se justifica nos tempos atuais, principalmente, diante dos protestos que pedem o fechamento do Congresso e do STF com a defesa de intervenção militar. 

O apreço pela democracia tem que ser valor histórico. Ou todas as forças democráticas vão assistir passíveis as ameaças de um novo AI 5 pelo filho 03 e que basta um soldado e um cabo, sem jipe, para fechar o STF?

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