Renan salvou a nação da humilhação

'Por que Eduardo Cunha e Michel Temer apoiam o impeachment e Renan Calheiros não? Renan não cerrou fileiras com os dois porque não traiu a aliança com a presidente Dilma Rousseff e com o PT a quem devia mais lealdade que aos seus amigos traidores', observa Alex Solnik, colunista do 247; o jornalista destaca que "se a nossa nação não foi completamente humilhada é graças a ele": "com Renan no Senado, o impeachment não passará; E em não passando o impeachment a paz voltará a reinar entre nós"

Brasília - Renan Calheiros fala à imprensa em sessão do Congresso Nacional para votação de matérias orçamentárias (Valter Campanato/Agência Brasil)
Brasília - Renan Calheiros fala à imprensa em sessão do Congresso Nacional para votação de matérias orçamentárias (Valter Campanato/Agência Brasil) (Foto: Alex Solnik)
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Em discurso pronunciado no Olimpo, onde mora, cercado de ninfas (não confundir com ninfetas), um tribuno de escol, ao abordar a crise no Império Romano parecia até que estava falando do Brasil:

Amigos, romanos, cidadãos, deem-me seus ouvidos. Muitos amigos perguntam: por que essa cizânia no PMDB? Por que Cunha e Temer apoiam o impeachment e Renan não? Será que Renan não tem apetite pelo poder? Desconhece ser essa a grande chance de o PMDB tomar a presidência com apenas 342 votos de 513 deputados?

Vou-lhes dizer o que penso. Lembrai-vos bem, faz apenas um ano - que é um milésimo de segundo na história - as eleições alçaram ao poder a aliança PT, na cabeça de chapa e o PMDB na vice-presidência, abençoada pelos deuses da democracia.

Lembrai-vos? Temer subiu a rampa naquele dia ensolarado e sem uma nuvem no céu ao lado de Dilma, sob aplausos insistentes de Cunha e de Renan. A presidente eleita pelo PT; Temer, Cunha e Renan pelo PMDB. Tiraram fotos sorridentes juntos.

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Sucedeu, então, o inesperado. No dia seguinte aos sorrisos, o céu encrespou, Cunha cerrou os dentes, convocou sua tropa, declarou guerra ao governo porque não o apoiou para presidente da Câmara. A falta de apoio transmutou em vingança e em guerra de extermínio sem tréguas.

Todos os seus passos, cidadãos romanos, foram calculados a partir de então para infligirem derrotas ao governo e, portanto, ao país. E nessa tarefa ele se esmerou e se tornou incansável. Ele e a sua matilha de novos aliados. Não os aliados que levaram seu partido ao poder. A arma mais mortífera, no entanto, chamada impeachment, ele guardava para um momento especial.

E nesse momento, amigos, Temer aderiu à sua ideia, ao seu golpe, ao seu plano de assalto ao poder. Juntos, seriam invencíveis. Como Batman e Robin. Como Pinky e o Cérebro.

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Mas, faltava alguém... faltava o terceiro homem forte do PMDB, onde estaria ele? Por que não cerrava fileiras com Cunha e Renan e colocava o governo de joelhos de uma vez? Teria traído seus amigos?

Pobres romanos, vós não entendeis Renan! Vós atolastes no passado e pensais que Renan é aquele que as manchetes tanto anunciaram em situações adversas, recusai-vos a aceitar que seres humanos podem mudar e de fato mudam. E então cobris Renan de injúrias.

Então eu vos digo: Renan não cerrou fileiras com Cunha e Temer porque não traiu a aliança com a presidente e com o PT a quem devia mais lealdade que aos seus amigos traidores.

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Amigos, romanos: se a nossa nação não foi completamente humilhada agradeçam a Renan. Com Renan no Senado, o impeachment não passará. E em não passando o impeachment a paz voltará a reinar entre nós.

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