Renato Gaúcho: o Bolsonaro da gávea

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Renato Gaúcho (Foto: Lucas Uebel/Grêmio)
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O Palmeiras de Abel Ferreira se sagrou tricampeão da América, ao derrotar o Flamengo de Renato Gaúcho por 2x1 em Montevidéu. Um jogo que foi marcado pelo duelo tático entre os dois técnicos de características bem distintas. De um lado, o esquema covarde, mas eficaz de um português que avisou que ficaria 59 dias estudando o adversário para derrota-lo. Do outro, a tática da malandragem do gaúcho mais carioca do Brasil, que costuma treinar o time curtindo o sol da praia de Ipanema e mandando os jogadores assistirem ao seu DVD. Um confronto de mentalidades e personalidades opostas, cujo resultado já era previsível.

Bolsonarista e tão fanfarrão quanto o presidente que ele apoia, Renato mostrou que não tem condições de ser técnico do Flamengo. Não apenas pelo desastre tático que se viu em campo contra o Palmeiras, mas por tudo o que ele já vinha apresentando à frente da equipe. Principalmente, abrindo mão do campeonato brasileiro para poupar jogadores e permitindo ao Atlético Mineiro se isolar na liderança da competição. A gota d´agua foi o jogo contra o Grêmio, onde ele facilitou, sim, o resultado para o seu time de coração. Ainda que morra jurando que não. Só esqueceu de combinar com o jogador Vitinho, que marcou dois gols no jogo (gols que Renato nem comemorou) e faria o terceiro se não tivesse sido substituído.

Estranhamente, no jogo deste sábado Renato optou pelo inconstante e pesado Kennedy para substituir inexplicavelmente a Bruno Henrique, quando Vitinho, o mesmo que havia castigado o seu time de coração alguns dias antes, sempre foi a primeira alternativa para essa troca. Abel Ferreira, que havia ficado quase dois meses estudando o Flamengo, explorou o que eu sempre achei o ponto fraco do time rubro-negro. O lateral esquerdo Filipe Luís. Que, para piorar, ainda tinha como cobertura o zagueiro David Luiz, ainda fora de ritmo de jogo e sem entrosamento com o companheiro. Uma verdadeira avenida, que só fechou ao trânsito depois que Filipe Luís deu um “migué’ e pediu para sair do jogo, percebendo que iria pagar um caro pedágio ao final da travessia.

O mapa da mina era ali. E foi por ali que o Palmeiras abriu o placar, numa bola enfiada nas costas do lateral flamenguista, que pegou o zagueiro mal posicionado na linha de impedimento, dando condições para Rony servir a Raphael Veiga que finalizou livre dentro da área e correu para o abraço. O Flamengo era um bando em campo. Mal fisicamente, os jogadores por mais técnicos que fossem, não conseguiam jogar. À beira do campo, Renato era incapaz de criar alternativas táticas para fugir à estratégia do treinador palmeirense. Perdido, limitava-se a abrir os braços à beira do campo, como se tal movimento fosse capaz de provocar um efeito mágico no desempenho do time em campo.

Aliás, o comportamento profissional de Renato Gaúcho, é o de um eterno fanfarrão que parece não querer amadurecer, apesar das rugas que lhe enfeitam o rosto. Deve ser um sintoma característico do bolsonarismo que o acomete. Tal como Jair Bolsonaro, ele abandonou a entrevista coletiva pós jogo contra o Palmeiras, por ter se irritado com uma pergunta, muito pertinente, diga-se de passagem, que lhe foi feita. Mimado e superestimado pela imprensa, passou a não aceitar o contraditório e a repetir as mesmas desculpas esfarrapadas para justificar os maus resultados obtidos no comando da equipe. Quando não era porque estava disputando três competições, era porque o juiz errou, o VAR falhou, a seleção convocou seus melhores jogadores e tinha gente no DM. Só faltou soltar um: &ldqu o;e o Lula? ”, “e o PT? “, como cereja do bolo de respostas incoerentes e previsíveis que sempre utiliza em suas entrevistas.

Voltando ao jogo, Abel Ferreira castigou e calou a soberba do técnico rubro-negro com trabalho. Sério, estudioso, ciente de suas limitações como técnico e da inferioridade de seu elenco, o “portuga” trabalhou duro durante todo o jogo. O lance do jogo que mais caracteriza o seu comando técnico e tático sobre os jogadores, é o momento em que a câmera o focaliza sentado no banco de reservas fazendo anotações em seu caderno, enquanto os jogadores se preparavam para a prorrogação. Ao sair do banco, ele reúne os atletas no gramado e todos, sem exceção, estão em seu entorno ouvindo atentamente as suas instruções. Do outro lado, o oposto. Os jogadores do Flamengo conversam entre em si, enquanto Renato anda feito uma barata tonta entre eles, talvez , tentando ouvir algo que pudesse ser aproveitado por ele durante o jogo.

Por todos os ataques e ofensas veladas proferidas contra Jorge Jesus, quando este era o técnico do Flamengo, Renato pagou com juros e correção monetária. Acreditou que tendo um elenco de 200 milhões na mão, bastava animar o vestiário contando os seus feitos da época de boleiro, que os títulos viriam. Toda a sua arrogância foi castigada. Dizem que ele chorou no vestiário após a partida. Lágrimas de um crocodilo em extinção, que já deve estar curtindo o seu habitat natural para se revigorar. A praia de Ipanema. É lá que ele monta o seu escritório e planeja o esquema tático do Flamengo, sob o sol energizante do Rio de Janeiro e apreciando a beleza das mulheres cariocas.

Com certeza, Abel Ferreira não assistiu ao DVD de Renato Gaúcho como técnico. Por isso, sagrou-se bicampeão da América derrotando a prepotência e a marra do playboy que dirige o Flamengo. Como flamenguista, o meu sentimento é de chateação. Porém, o resultado da partida não me surpreendeu, a julgar pelo comando técnico da equipe e pela postura do time nos últimos jogos. A América é verde. E o Flamengo de Renato Gaúcho amarelou. Tenho fé que o ano de 2022 será melhor para o Flamengo e para o Brasil. As duas maiores nações da América do Sul merecem um técnico e um presidente da república à altura de suas tradições.

Fora Renato! Fora Bolsonaro!

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