República e fascismo

Exemplos não faltam de que a coisa está feia, antes de ser pública. O sentimento republicano cultivado ao longo de mais de século está sendo posto à prova, fato que não acontecia de forma tão trágica e absurda mesmo nos governos militares ditatoriais.

(Foto: Carolina Antunes/PR)
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Exemplos não faltam de que a coisa está feia, antes de ser pública. O sentimento republicano cultivado ao longo de mais de século está sendo posto à prova, fato que não acontecia de forma tão trágica e absurda mesmo nos governos militares ditatoriais.

O desprezo de Bolsonaro para a coisa pública vem desde sempre, tendo como destaques a falta de um programa de governo e a ausência em debates na campanha presidencial. Todos no governo operam em favor de seus interesses pessoais e familiares, alguns se vingando de frustrações quando eram estudantes, outros porque lhes foi revelada a incompetência profissional. A corrupção corre solta na administração, dominada também pela criminalidade rasteira. Um exemplo simples foi a notícia de que caiu o presidente do INSS, o que, sem o adjunto nominal representaria quem realmente é o culpado por tantos erros e patacoadas no governo, em todas as áreas: educação, cultura, comunicações, meio-ambiente, economia, relações externas, etc.

E não é apenas o Executivo protagonista de desmandos. O corporativismo entre os procuradores, sobre a infundada denúncia apresentada por Wellington Oliveira contra o jornalista Glenn Greenwald, levanta outra questão, pois ele é um agente público, dos mais bem remunerados, sobre o qual não haverá punição por má conduta. Cobra-se que servidores públicos sejam mais ainda avaliados, mas quando se fala do Judiciário, apenas o silêncio impera.

Assim, o ideário bolsonarista é um misto de fascismo, teocracia, violência e ignorância. Parece querer projetar um nome que até dois anos atrás pouco significava em termos políticos, como era seu congênere Adolf Hitler. A provável ida de Regina Duarte para a Secretaria de Cultura é apenas cortina de fumaça para disfarçar o aparelhamento institucional de extrema direita já ocorrido. Dadas as origens e passagens dessas pessoas, minha região de Campinas está devendo - e muito - na contribuição política saudável para o país. Discute-se a forma como Regina Duarte administraria a Cultura em função de suas posições majoritariamente à direita, mas não é essa a questão. Pode-se ter boas atitudes mais progressistas ou conservadoras, mas a natureza do governo é nazi-fascista e a performance de Roberto Alvim apenas foi um ato inadvertido que revelou essa essência. A atriz, assumindo a Pasta, ou revelará que também comunga com esse retrocesso ou se indisporá com os mentores e pouco tempo lá sobreviverá. Pelos primeiros pronunciamentos seus, a primeira hipótese é a mais provável, jogando por terra qualquer resquício da Malu Mulher.

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