Resistir à destruição da sociedade

Os regimes totalitários só se sustentam com a limitação do conhecimento e a eliminação do confronto de ideias, que é fundamental para a vida em sociedade, com autonomia de cada um e, ao mesmo tempo, com a perspectiva coletiva

Resistir à destruição da sociedade
Resistir à destruição da sociedade (Foto: Fotos: Reprodução)

Nas Universidades e nas Instituições do Estado em geral, diz a legislação em vigor que é preciso ser neutro, que é vedada a tomada de posição partidária.

Mas não é possível ser neutro, não podemos nos calar quando a própria razão de ser de nossa vida em sociedade e nas Instituições é ameaçada com intolerância e violência. Razão aqui não significa nada mais do que o terreno comum de nossa experiência e de nosso conhecimento. Porque ninguém consegue viver como indivíduo sem simultaneamente viver em sociedade. Daí a fraternidade, a igualdade, a solidariedade, a liberdade.

Os regimes totalitários só se sustentam com a limitação do conhecimento e a eliminação do confronto de ideias, que é fundamental para a vida em sociedade, com autonomia de cada um e, ao mesmo tempo, com a perspectiva coletiva. O regime totalitário funciona como uma máquina de reprodução. Seu lema é: “Faça com os outros como eu faço com você; eu exponho minha intolerância e meu ódio, que serão a minha herança.” É assim que procura se reproduzir, ter continuidade pela ação violenta.

A intolerância só se reproduz quando não existe nenhum outro diferente, só alguém igualado no próximo, e no seguinte, e no que vem depois, etc....  Esse mundo não existe de verdade, é apenas virtual, no plano dos “avatares”. Não come, não bebe, não se relaciona realmente. Por isso a intolerância está condenada a desaparecer; às vezes atrasa um pouco, mas o fim é certo.

Até lá, resistir. 

Wolfgang Leo Maar é professor titular sênior da UFSCar e pesquisador do Cenedic-FFLCHUSP

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