Respeitem a democracia, pelo amor de Deus!

A relatoria de Gilmar não vai se materializar, porque o Ministério Público Eleitoral já entrou com recurso. E caso se materialize, não terá consequências maiores do que expor o golpismo e partidarismo de Gilmar Mendes

Apesar do meu ateísmo, preciso me apegar, ao menos na linguagem, à alguma força maior para implorar que deixem a democracia brasileira em paz!

Acabamos de experimentar uma eleição na qual mais de 100 milhões de eleitores se expressaram, fazendo com que o Brasil figure como a terceira maior democracia do mundo, atrás apenas de Índia e EUA.

Alguns internautas começaram a me dar bronca por não atualizar o blog tanto quanto gostariam.

Pois é, de vez em quando eu preciso viajar, e perco tempo em trânsito.

Vida dura, a de blogueiro político no Brasil!

Toda semana há uma tentativa de golpe. Pelo amor de Deus!

Não dá para relaxar um minuto!

Canalhas!

Apenas hoje, temos 1) Merval, principal âncora e colunista político da Globo, falando descaradamente em impeachment de uma presidenta eleita há poucas semanas; 2) e uma história de terror envolvendo o presidente do TSE, Toffoli, que num gesto que configura uma facada nas costas do povo brasileiro, distribuiu a relatoria da aprovação das contas de Dilma Rousseff para Gilmar Mendes.

Merval é um ridículo.

Derrubar uma presidenta justamente no momento em que ela leva os louros, merecidos, por deixar correr uma investigação inédita sobre a corrupção de empreiteiras?

Sobre o golpe no TSE, é difícil conceber uma jogada mais cafajeste do que esta dobradinha entre Toffoli e Gilmar Mendes.

Continuo, no entanto, otimista.

A relatoria de Gilmar não vai se materializar, porque o Ministério Público Eleitoral já entrou com recurso.

E caso se materialize, não terá consequências maiores do que expor o golpismo e partidarismo de Gilmar Mendes.

É evidente que Dilma sempre pode entrar com um recurso, e ganhará no plenário do TSE, onde o bom senso prevalecerá.

Deus é maior!

*

Armado por Toffoli e Gilmar, já está em curso o golpe sem impeachment

Por Luis Nassif, em seu blog

O processo de impeachment exige aprovação de 2/3 do COngresso. Já a rejeição das contas impede a diplomação. A decisão fica com o Judiciário. Este é o golpe paraguaio.

Já entrou em operação o golpe sem impeachment, articulado pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Antonio Dias Toffoli em conluio com seu colega Gilmar Mendes. O desfecho será daqui a algumas semanas.

As etapas do golpe são as seguintes:

1. Na quinta-feira passada, dia 13, encerrou o mandato do Ministro Henrique Neves no TSE. Os ministros podem ser reconduzidos uma vez ao cargo. Presidente do TSE, Toffoli encaminhou uma lista tríplice à presidente Dilma Rousseff. Toffoli esperava que Neves fosse reconduzido ao cargo (http://tinyurl.com/pxpzg5y).

2. Dilma estava fora do país e a recondução não foi automática. Descontente com a não nomeação, 14 horas depois do vencimento do mandato de Neves, Toffoli redistribuiu seus processos. Dentre milhares de processos, os dois principais – referentes às contas de campanha de Dilma – foram distribuídos para Gilmar Mendes. Foi o primeiro cheiro de golpe. Entre 7 juízes do TSE, a probabilidade dos dois principais processos de Neves caírem com Gilmar é de 2 para 100. Há todos os sinais de um arranjo montado por Toffoli.

3. O Ministério Público Eleitoral, através do Procurador Eugênio Aragão, pronunciou-se contrário à redistribuição. Aragão invocou o artigo 16, parágrafo 8o do Regimento Interno do TSE, que determina que, em caso de vacância do Ministro efetivo, o encaminhamento dos processos será para o Ministro substituto da mesma classe. O prazo final para a prestação de contas será em 25 de novembro, havendo tempo para a indicação do substituto – que poderá ser o próprio Neves. Logo, “carece a decisão ora impugnada do requisito de urgência”.

4. Gilmar alegou que já se passavam trinta dias do final do mandato de Neves. Na verdade, Toffoli redistribuiu os processos apenas 14 horas depois de vencer o mandato.

5. A reação de Gilmar foi determinar que sua assessoria examine as contas do TSE e informe as diligências já requeridas nas ações de prestação de contas. Tudo isso para dificultar o pedido de redistribuição feito por Aragão.

Com o poder de investigar as contas, Gilmar poderá se aferrar a qualquer detalhe para impugná-las. Impugnando-as, não haverá diplomação de Dilma no dia 18 de dezembro.

O golpe final – já planejado – consistirá em trabalhar um curioso conceito de Caixa 1. Gilmar alegará que algum financiamento oficial de campanha, isto é Caixa 1, tem alguma relação com os recursos denunciados pela Operação Lava Jato. Aproveitará o enorme alarido em torno da Operação para consumar o golpe.

Toffoli foi indicado para o cargo pelo ex-presidente Lula. Até o episódio atual, arriscava-se a passar para a história como um dos mais despreparados Ministros do STF.

Com a operação em curso, arrisca a entrar para a história de maneira mais depreciativa ainda. A história o colocará em uma galeria ao lado de notórios similares, como o Cabo Anselmo e Joaquim Silvério dos Reis.

Ontem, em jantar em homenagem ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski, o ex-governador paulista Cláudio Lembo se dizia espantado com um discurso de Toffoli, durante o dia, no qual fizera elogios ao golpe de 64.

Se houver alguma ilegalidade na prestação de contas, que se cumpra a lei. A questão é que a operação armada por Toffoli e Gilmar está eivada de ilicitudes: é golpe.

Se não houver uma reação firme das cabeças legalistas do país, o golpe se consumará nas próximas semanas.

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