Ressentimento fez Ciro perder a Presidência e o bonde da História

Jornalista Ribamar Fonseca diz que cada vez que abre a boca para agredir Lula, Ciro Gomes mais se distancia do Palácio do Planalto; "Ciro cometeu uma série interminável de erros grosseiros para um homem da sua experiência política, culminando com a sua fuga para o exterior quando a sua presença mais se fazia necessária", diz Fonseca; "Seu ressentimento absurdo deixou-o completamente cego, impedindo-o mais uma vez de marcar pontos junto ao eleitorado diante de uma eventual futura candidatura. Depois disso, enterrou de vez sua chance de chegar ao Planalto, pois dificilmente o povo esquecerá sua atitude de fujão, sem nenhum compromisso com os destinos da Nação"

 Ressentimento fez Ciro perder a Presidência e o bonde da História
Ressentimento fez Ciro perder a Presidência e o bonde da História

Cada vez que abre a boca para agredir Lula o ex-ministro Ciro Gomes mais se distancia do PT, das Esquerdas e do Palácio do Planalto. Ele continua acreditando que agredindo o ex-presidente e o PT conquistará seguidores e votos, estratégia burra adotada na última campanha presidencial, quando chegou ao terceiro lugar, atrás do candidato petista Fernando Haddad. O ex-governador cearense estava convencido de que com o ex-presidente fora do páreo sucessório teria garantido o sucesso do seu projeto pessoal de poder e, por isso, escolheu Lula como o alvo das suas críticas, juntando-se a Bolsonaro, Alkmin, Álvaro Dias, Marina e Meireles nos ataques ao petismo e a seu líder maior. Parecia inacreditável que um homem com a experiência política de Ciro, antigo aliado do ex-presidente, tivesse adotado semelhante atitude, quando o caminho lógico, escolhido por qualquer político de mediana inteligência, seria juntar-se ao favorito nas intenções de voto, atraindo de imediato as simpatias dos petistas de todo o país, particularmente dos dirigentes do partido.

Ciro chegou a ser convidado por Lula para ser seu vice, mas recusou, com aquela arrogância que lhe é característica, acreditando que teria votos suficientes para ser o titular. Com isso jogou fora a sua melhor chance de chegar à Presidência da República, pois seria o substituto natural do líder petista quando este teve a sua candidatura barrada pelo TSE. Ele próprio declarou que até as pedras sabiam que Lula seria impedido de concorrer, o que seria mais uma razão para aceitar o seu convite. Ao invés disso, intensificou as agressões ao grande líder popular, certo de que com isso teria sua vitória assegurada, a ponto de afirmar que no segundo turno teria de graça o apoio do PT. Perdeu o juízo e a oportunidade de ser Presidente mas, surpreendentemente, atribuiu seu fracasso ao ex-presidente por não tê-lo apoiado. Chegou, inclusive, a acusar Lula de ter enganado o povo por não ter desistido da sua candidatura antes da decisão do TSE. O líder petista, no entanto, agiu corretamente, pois se tivesse desistido antes de ser barrado perderia parte considerável dos mais de 47 milhões de votos dados a Fernando Haddad.

O ressentimento de Ciro com Lula, portanto, não faz o menor sentido, já que foi ele mesmo quem queimou, com suas agressões gratuitas e inoportunas, todas as pontes que o ligavam ao PT e ao ex-presidente. Enquanto Manuela Dávilla, do PCdoB, e Guilherme Boulos, do Psol, se solidarizavam com Lula, acompanhando-o até o momento em que se entregou à Policia Federal, o ex-governador cearense, questionado por jornalistas, se negou a visitá-lo dizendo que não cumpria agenda do PT. Ainda considerou perfeitamente legal a sua prisão. E, ainda assim, queria o apoio do ex-presidente para a sua candidatura? Sem dúvida é muita cara-de-pau. Na verdade, Ciro cometeu uma série interminável de erros grosseiros para um homem da sua experiência política, culminando com a sua fuga para o exterior quando a sua presença mais se fazia necessária, junto a Haddad, no embate do segundo turno, como fizeram os outros candidatos da Esquerda, pois o adversário a vencer era Bolsonaro. Seu ressentimento absurdo deixou-o completamente cego, impedindo-o mais uma vez de marcar pontos junto ao eleitorado diante de uma eventual futura candidatura. Depois disso, enterrou de vez sua chance de chegar ao Planalto, pois dificilmente o povo esquecerá sua atitude de fujão, sem nenhum compromisso com os destinos da Nação.

Se Ciro tivesse realmente algum compromisso com o Brasil teria ficado e lutado ao lado de Haddad no segundo turno, o que provavelmente teria garantido a eleição do candidato petista. De certo modo, também foi responsável pela eleição de Bolsonaro. E mais: com sua atitude deixou claro que tinha um projeto pessoal de poder, não necessariamente de país. Ele sequer se preocupou em seguir o exemplo do fundador do seu partido, o saudoso Leonel Brizola, que desistiu da sua candidatura para apoiar Lula quando este concorria com Fernando Collor. Lamentavelmente Ciro, que parecia uma promessa para o futuro, deixou-se levar pela vaidade e pelo ressentimento e praticamente afastou qualquer possibilidade de ser Presidente da República. E ninguém se espante se, dentro de alguns meses, começar um discreto namoro com Bolsonaro, pois já disse que só pretende fixar posição diante do novo governo após completados 100 dias da nova administração. Ou seja, ele ainda não tem certeza de que irá para a oposição, precisando de todo esse tempo para tomar uma decisão. O que ele está esperando? Um convite para integrar o novo governo, depois do virulento ataque a Lula?

Ao vivo na TV 247 Youtube 247