Revolução à vista na América do Sul

O receituário de Washington está entrando em buraqueira na América do Sul. Na Argentina, dançou. Macri tenta sobreviver passando o chapéu no FMI, para levantar socorro emergencial. Senão, cai

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macri fmi (Foto: César Fonseca)


Impasse democrático

O receituário de Washington está entrando em buraqueira na América do Sul. Na Argentina, dançou. Macri tenta sobreviver passando o chapéu no FMI, para levantar socorro emergencial. Senão, cai.

Temer, por aqui, está na corda bamba. Mantém-se em pé graças a herança de Lula e Dilma, das reservas cambiais de 375 bilhões de dólares, acumuladas entre 2003 e 2014, tempos de nacionalismo econômico, melhor distribuição de renda, promoção dos salários, do mercado interno, preservação e ampliação de conquistas sociais etc. Manter isso, não é mais negócio para Washington.

Tio Sam precisa de vira-latas, para obedecer suas determinações, como as contidas no Consenso de Washington. O problema é que tal receituário é incompatível com democracia. Submetido às urnas, não avança. Só prejudica o povo, porque precisa extrair o máximo de direitos e riquezas da população, para continuar acumulação neoliberal.

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Como essa terapia economicida é incompatível com ambiente democrátcio, o receituário neoliberal não tem futuro eleitoral. Lula preso dá banho em toda direita e extrema direita juntas, comprometida com neoliberalismo.

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Adeus, Keynes

A periferia sub-capitalista não pode mais fazer o que o capitalismo cêntrico, especialmente, americano, faz, que é a receita keynesiana. Joga-se dinheiro na circulação, pelo estado emissor de moeda estatal, única variável econômica independente sob capitalismo, segundo Keynes, para elevar preços, reduzir salário e juros e perdoar dívida dos capitalistas contraída a prazo. Eis a arma para ativar consumo, produção, distribuição, circulação, arrecadação e investimentos.

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Trump decidiu interromper esse circuito silogista capitalista  na periferia, porque, segundo ele, cria concorrentes para os produtos americanos, com os dólares que Estados Unidos espalharam, no pós guerra, para salvar o capitalismo do perigo comunista, a partir da Europa.

O problema são as contradições desatadas pelo próprio sistema, como destaca Marx. Que fazer com os trabalhadores, com suas famílias, com conquistas produzidas pelo sistema, no seu processo de acumulação de riqueza, de um lado, e pobreza, de outro, se, ao paralisar o circuito do dinheiro, como Temer faz com o congelamento de gastos sociais, via do PEC do Teto, o sistema desaba?

Bancocracia avança

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O neoliberalismo bancocrático, imposto por Wall Street, tem que arrasar a periferia, para continuar a acumulação no capitalismo cêntrico, agora, patrocinada, apenas, pela especulação.

Trump tenta, com a política monetária do BC americano, puxando juros,  esvaziar a periferia de dólar, rumo aos títulos americanos. Os estados nacionais periféricos, sob especulação de Tio Sam, perdem capacidade de capitalizar suas empresas e seus servidores públicos, tornando-os descartáveis. Não podem, consequentemente, exercitar o modelo keynesiano de alavancar demanda com emissão de seus títulos, como faz o próprio governo americano, desde os anos de 1940, para se tornar o que é hoje, potência mundial.

O nacionalismo trumpiano não é mais permitido nas periferias, como Brasil e Argentina. É uma prerrogativa, apenas, de Tio Sam, que sabe que sua receita, adotada pelos outros, lhe prejudica.

Aí entra a estória do Garrincha: está combinado tudo com os russos?

Os sul-americanos vão continuar por quanto tempo abaixando cabeça, como vira-latas, tipo Temer, FHC, Macri etc, se o resultado é aumento crescente do desemprego, da fome, da miséria, da exclusão social?

Essa loucura neoliberal exige expansão das prisões, acumuladas por decisões judiciais, meramente, punitivas, por judiciário, determinado, agora, a fechar a boca dos legislativos e encarcerar líderes populares, favoritos pela vontade popular, a comandar governos nacionalistas.

O germe da revolução está sendo adubado, vigorosamente, por Washington.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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