Ricardo Nunes, a bomba relógio dentro do Palácio Anhangabaú, caso Bruno Covas seja reeleito

Considerando a trajetória dos prefeitos tucanos de abandonarem a prefeitura de São Paulo para disputar cargos maiores, o jornalista Florestan Fernandes Jr. aponta os riscos que envolvem o candidato a vice-prefeito de Bruno Covas, um ultraconsersavor que passou despercebido na campanha

(Foto: Reprodução)
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Por Florestan Fernandes Jr., para o Jornalistas pela Democracia 

Chegamos ao segundo turno das eleições na maior cidade da América do Sul, e poucos eleitores de São Paulo sabem quem é o candidato a Vice Prefeito da chapa de Bruno Covas. O Vice passou desapercebido nos programas do horário eleitoral do candidato tucano. Para quem não sabe, seu nome é Ricardo Nunes, um empresário sem curso superior, considerado extremamente conservador.

Ligado à bancada religiosa da Câmara Municipal, Ricardo Nunes é do MDB e contrário às pautas de direitos das mulheres e dos LGBTQIA+.  Envolvido em uma investigação do Ministério Público, por suspeita de participação na máfia das creches, Ricardo é acusado também de violência doméstica.

Reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo, em 15/10/2020, revelou que em 2011, Ricardo Nunes foi acusado pela esposa de violência doméstica, ameaça e injúria, tendo sido registrado boletim de ocorrência na 6ª Delegacia da Mulher, em Santo Amaro (zona sul de São Paulo). O currículo de Ricardo Nunes é de fazer inveja a alguns Ministros de Bolsonaro, como Ricardo Salles e Damares Alves. Ricardo pode se transformar numa verdadeira bomba relógio dentro do Palácio Anhangabaú, caso Bruno Covas seja reeleito. Isso porque governantes do PSDB têm histórico de abandono do mandato, para concorrer a cargos de maior expressão. Vejam os Vices que assumiram nos últimos 20 anos em chapas tucanas em São Paulo: Alkimin, Kassab, Alberto Goldman, Cláudio Lembo, Márcio França e o próprio Bruno Covas, que substituiu Doria depois que este deixou o cargo de Prefeito para concorrer ao Governo do Estado. Além de não cumprir o compromisso assumido com o eleitor, de permanecer no cargo, Doria se aliou a Bolsonaro na dobradinha chamada de "Bolsodoria".

Como sou jornalista das antigas, logo fiz a comparação com o avô de Bruno. Em 1993, Mário Covas não aceitou fazer alianças com partidos fisiológicos, para aumentar o tempo de televisão no horário eleitoral, na campanha para o Governo de São Paulo. Lançou, sem titubear, uma chapa “puro sangue”, tendo como Vice o então Deputado tucano, Geraldo Alkimin.

A coerência política de Mário Covas era admirável, ele jamais abriu mão dos princípios da social democracia para alcançar o poder. Naquela eleição, Mário ficou perplexo ao ver o leque de Partidos de direita que FHC costurou para viabilizar a eleição dele à Presidência da República.  Algo muito parecido com a coligação que apoia Bruno Covas hoje. Na semana que antecedeu a votação em primeiro turno, Mário ficou possesso ao ver o Estado de São Paulo coberto de outdoors  do seu principal adversário na corrida ao governo paulista, Paulo Maluf, abraçado ao candidato tucano Fernando Henrique Cardoso.

Resultado, FHC foi eleito no primeiro turno e Mário Covas, com minguado tempo de televisão, amargou um segundo turno difícil. Mas valeu o sacrifício, Mário Covas foi eleito sem fazer concessões. Além disto, contou com o apoio de meu pai, que publicou em sua coluna na Folha um artigo intitulado: Por que Covas. Artigo que o ex-Governador colocou numa moldura, e com orgulho me mostrou no dia em que fui a casa dele fazer uma reportagem para a TV Cultura.

Princípios e coerência que Mário e Florestan levaram consigo para a eternidade, e que fazem tanta falta no mundo em que vivemos hoje.

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