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Enio Verri

Diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional

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Richa faz um governo conservador e autoritário

A desproporcionalidade no Congresso não é nada mais do que o reflexo da nossa sociedade, que respinga nos municípios e estados, como pôde ser observado pela decisão vertical do governador Beto Richa de suspender as eleições para diretores nas escolas

REUNI (Foto: Enio Verri)

A banalização do termo bolivarianismo e o vulto de autoritarismo de uma elite que prega o fim dos direitos conquistados nos últimos 12 anos não só fragilizam nossa recente democracia como também escondem a pujança do conservadorismo brasileiro.

Conservadorismo este, que transparece no aumento expressivo de representantes de direita no espectro ideológico e na redução de parlamentares advindos de sindicatos, movimentos de classes trabalhadores ou minorias na Câmara dos Deputados. Um desequilíbrio considerável a democracia representativa.

A desproporcionalidade no Congresso Nacional não é nada mais do que o reflexo da nossa sociedade, que respinga diretamente nos municípios e estados, como pôde ser observado pela decisão vertical do governador Beto Richa (PSDB) de suspender as eleições para diretores nas escolas estaduais.

A indicação política para o cargo máximo nos colégios do Paraná, reproduzindo a realidade de alguns municípios paranaenses, que deve se concretizar ainda este ano, mais uma vez, fere os direitos conquistados por educadores e comunidade escolar.

O compromisso com as eleições diretas para diretor da escola, independente da esfera, atenta-se a uma triste realidade, a qual transferiu para as escolas a responsabilidade da educação e, não do conhecimento. O ato de ensinar passou a ser bem mais complexo.

Logo, pensar a Pátria Educadora é negar que a diretoria da escola seja ocupada por alguém indicado politicamente, que responde a quem o indicou em vez da comunidade. A eleição vai além do respeito à democracia, é um mecanismo de escolha de um gestor respaldado pela comunidade escolar.

Trata-se de compreender a educação pública e de qualidade como conjunto de esforços entre poder público e sociedade civil. Uma parceria que envolve investimentos massivos, valorização de profissionais e participação ativa de todos interessados na qualidade do sistema educacional brasileiro.

O desafio é grande, mas está traçado. Com a participação da comunidade escolar e o poder público, cada dia mais, o Brasil avançará para ser um País mais justo e desenvolvido.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.