Rodrigo Constantino - O canalha culposo

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Mais hediondo do que o crime de estupro, são as tentativas de justificar o ato cometido, tentando responsabilizar a vítima pela violação sexual sofrida. Infelizmente, a nossa cultura machista é capaz de legitimar abusos sexuais e relativizar a dor das mulheres colocando sob suspeita o seu caráter e a sua moral. Inversão de valores propositalmente estabelecida, em defesa de um conservadorismo que defende a superioridade de um gênero sobre o outro.

O caso de Mariana Ferrer chama a atenção por despertar algumas reações acaloradas e confessadamente cúmplices da atitude do empresário de Santa Catarina, que a estuprou em um evento. Não bastasse a humilhação que lhe foi imposta durante a audiência, onde o advogado de defesa do estuprador agiu com agressividade e desrespeito contra ela, contando com a permissividade do Juiz que presidia a sessão, Mariana teve o seu caso “analisado” pelo jornalista Rodrigo Constantino.

A julgar pelas opiniões que ele costuma emitir, não poderíamos esperar que ele nos brindasse com algo diferente do que os habituais ramos de alfafa que ele costuma servir aos gados bolsonaristas que leem seus textos e assistem suas lives. Porém, por mais que a canalhice se misture ao sangue que corre em suas veias, não imaginava que ele fosse capaz de defender um estuprador. Pior do que isso, culpabilizar a vítima por ter sido estuprada. Ainda mais agravante, é esse sujeito ter espaço na mídia para expelir a bílis verbal que o consome por dentro.

Ao dizer que se a própria filha chegasse em casa dizendo que foi estuprada, em circunstâncias que ele julga passíveis de estupro, a colocaria de castigo e não denunciaria os estupradores, ele se auto declara um canalha. Se culposo ou doloso, vai depender do Juiz responsável por sua sentença. Caso seja o mesmo que julgou o caso de Mariana, podemos imaginar qual será o veredicto. A pusilanimidade de seu caráter, ainda o permitiu simular uma situação na qual a sua filha teria bebido demais, ficado com dois caras numa festa, resolvido dormir no local e tivesse acordado violentada sexualmente.

Segundo ele, “em alguma coisa ela errou feio”, para ter sido estuprada. Julgando como “condenável” o comportamento de mulheres que ficam bêbadas, e dividindo as mulheres entre “decentes” e “piranhas”, ele segue fazendo a sua lavagem intestinal pela boca, chamando as feministas de “mocréias” e “vadias” que odeiam relações estáveis e gostam de ser objeto sexual de homens “malandros” e “canalhas” Uma ode ao mal caratismo e a tudo o que de mais nojento um ser humano pode expressar. Constantino é um lixo em pessoa. Ou uma pessoa em forma de lixo. Tanto faz.

O que é preciso deixar claro, é que o conceito de decência não pode estar baseado na opinião de alguém que nunca possuiu tal virtude. Indecente é estuprar e defender quem estupra. Só um homem completamente degenerado dos sentidos ou com insight definitivamente ausente, poderia considerar punir a própria filha por ela ter sido estuprada. Constantino se apresenta como conservador, e a minha opinião sobre os conservadores é a pior possível. São potenciais assassinos, racistas, machistas, fundamentalistas, intolerantes e identitários da hipocrisia. E não venham me dizer que não é bem assim, que toda generalização é burra, porque, nesse caso, em alguma dessas categorias todo conservador está incluído.

A fala de Constantino é abjeta, e o define como um escroque da dignidade alheia. Ser da mesma espécie e do mesmo gênero de uma figura tão desprovida de urbanidade, me causa profundo desgosto. Mas é preciso entender que existe ser humano decente e ser humano “piranha”. Deixando claro que ser “piranha”, no sentido bíblico do termo, não é mais indecente e imoral do que ser Rodrigo Constantino. Da minha parte, elas sempre terão o respeito que eu jamais ofereceria a estupradores ou a quem os defende.

Há um tempo, esse mesmo sujeito divulgou uma lista contendo nomes de personalidades “petralhas”, que deveriam ser boicotadas pelo povo brasileiro. Na matéria ele dizia que “quem está com o PT está contra o Brasil”. Por ironia do destino, ele hoje merece ser alçado a posição de número um, na lista dos maiores canalhas do país. E com louvor. Eu diria que, quem está com Rodrigo Constantino, está contra as mulheres e a favor do estupro. Eu gostaria de saber o que a sua esposa e filha pensam a respeito do que ele falou. Imagino que elas nunca mais irão beber nada que contenha álcool, para não correrem o risco de serem estupradas e condenadas pelo chefe da família.

A canalhice de Constantino e a cultura do estupro não tem limites. É puro dolo e tem que despertar repulsa, indignação e punição decente e exemplar.

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